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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Clube dos 13 serve pra quê, mesmo?



Era uma vez uma entidade que foi criada para representar os grandes clubes de futebol do Brasil e protegê-los dos desmandos e incompetência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Esta mesma entidade criou o campeonato mais bacana na era pré-pontos corridos, a Copa União de 1987, reunindo os 16 principais times do país e que terminou com o timaço do Flamengo de Zico e Bebeto campeão, diante do também excelente Internacional. Esta mesma entidade mostrou firmeza de posição e apoiou a decisão de Flamengo e Inter em não disputar um quadrangular ridículo proposto pela CBF com clubes de menor escalão, num torneio mambembe organizado por ela.


Tudo isso era o Clube dos 13 em sua origem, há quase 26 anos. Passados um quatro de século, o que sobrou daquela entidade que poderia revolucionar o futebol do Brasil, criando e organizando a tão sonhada Liga dos Clubes, tornou-se uma mera agenciadora  de direitos de transmissão. 

E nesta quarta-feira, é capaz que nem mesmo esta função sobre para a entidade, dependendo do resultado das regras das concorrências dos próximos direitos de transmissão do Brasileirão. Especialmente se Corinthians e Flamengo, os dois clubes campeões de audiência, decidirem pular fora do Clube dos 13 e negociarem à parte estes direitos. Ou seja, a possibilidade de um racha na entidade é bem grande.

Triste e patético fim, diga-se de passagem.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A cornetada de Zezé Perrella no
Corinthians, com sabor de vingança


"Quando não tem apito amigo, fica difícil para eles"

Zezé Perrella, presidente do Cruzeiro, tirando um sarro da eliminação do Corinthians ainda na primeira fase da Taça Libertadores, fazendo uma menção ao polêmico pênalti marcado em Ronaldo no último Corinthians x Cruzeiro, pelo Brasileirão de 2010

sábado, 25 de dezembro de 2010

A história da unificação dos títulos brasileiros ainda vai dar o que falar

Luís Álvaro, presidente do Santos, e Salvador Palaia, vice do Palmeiras, cheios de taças e faixas/Crédito: CBF

Depois de tudo que já li e ouvi a respeito da unificação dos títulos da Taça Brasil e do Robertão como títulos brasileiro,s continuo cada vez mais convicto de que a CBF fez uma grande lambança e que só deveria ter unificado os do Robertão, enquanto que os da Taça Brasil deveriam ser equiparados com a Copa do Brasil. Mas o fato é que o assunto ainda dará muita discussão. Abaixo, post do blog do colega e amigo Paulo Vinícius Coelho, tratando com muitas propriedade sobre o tema.

Sem paixões clubísticas ou argumentos defendidos de forma cega e messiânica.

Por que fui contra a unificação dos títulos brasileiros
por Paulo Vinicius Coelho

As pessoas me encontram e perguntam: a unificação foi justa? Nos últimos anos, debatemos o assunto no Loucos por Futebol, no Bate Bola e Linha de Passe. Minha opinião foi repetida algumas vezes. Daí, no meio da discussão das últimas duas semanas, eu ter corrido o risco de debater o tema sem detalhar por que razão minha opinião foi contrária à unificação. Me parecia redundante repetir o que já disse. O risco foi não explicar corretamente o caso.
Se você acha que isso aconteceu, tento corrigir o problema abaixo.
Se já se encheu desse assunto, desculpe. Você tem todo o direito de parar sua leitura aqui.

1. Havia quatro possibilidades de lidar com a unificação: a) unificar tudo, Taça Brasil e Robertão, desde 1959; b) não unificar nada e manter o Brasileiro com início em 1971; c) unificar só o Robertão, a partir de 1967, e equiparar a Taça Brasil à Copa do Brasil; d) unificar desde 1959, mas estudar os anos de 1967 e 1968 à parte, para evitar a confusão dos dois campeões no mesmo ano, agora estabelecida. Em 1967 e 1968, era como se o Robertão fosse equivalente ao Brasileiro e a Taça Brasil à Copa do Brasil.

Todas essas possibilidades eram legítimas. Para estabelecer consenso sobre qual das quatro alternativas escolher, seria preciso estabelecer um debate com historiadores do futebol brasileiro, como Celso Unzelte, Roberto Assaf e Odir Cunha, entre outros.

2. As semelhanças e diferenças da Taça Brasil: A Taça Brasil foi o primeiro torneio nacional de clubes com continuidade. É possível dizer que o Torneio dos Campeões, promovido pela Federação Brasileira de Futebol e vencido pelo Atlético Mineiro em 1937 (há referência no hino do Galo à taça, com o verso "Nós somos campeões dos campeões") foi o primeiro torneio nacional, ainda que só tenha envolvido quatro estados. Mas o Torneio dos Campeões não teve sequência.

Apesar disso, a Taça Brasil tinha formato de Copa, com as primeiras fases disputadas regionalmente. Isso dá legitimidade a quem entende que o torneio deveria ser equiparado ao Brasileiro, como também dá argumento a quem defende a equiparação com a Copa do Brasil. Lembre-se que, como a Taça Brasil, a Copa do Brasil dá vaga na Libertadores desde sua primeira edição, em 1989. Diferente da Taça Brasil, a Copa do Brasil nunca foi o torneio nacional mais importante de sua época. Mas mesmo em 1959, para grande parte dos torcedores, era mais importante ser campeão paulista ou carioca do que vencer o torneio nacional.

3. As semelhanças e diferenças do Robertão: O Robertão ganhou esse apelido por uma razão objetiva. Torneio Roberto Gomes Pedrosa era o nome oficial do Torneio Rio-São Paulo. Quando o Cruzeiro ganhou a Taça Brasil de 1966 e evidenciou que o futebol brasileiro não era mais dominado apenas pelo eixo Rio-Sã Paulo, decidiu-se ampliar o Rio-São Paulo. No primeiro ano, 1967, entraram clubes de MG, RS e PR. Pernambuco e Bahia ingressaram na segunda edição, em 1968. O Rio-São Paulo ampliado, ou o Roberto Gomes Pedrosa grande, virou o Robertão.

O torneio teve representatividade de Campeonato Brasileiro. Mas há uma diferença, ainda que sutil, na transformação do Robertão em Campeonato Nacional, a partir de 1971.
Ao anunciar a CRIAÇÃO do Campeonato Nacional, em fevereiro de 1971 (veja, a criação foi anunciada em fevereiro pelo presidente João Havelange e o Nacional começou em agosto), a CBD estabeleceu três divisões, com acesso e descenso. É fato que o acesso e o descenso jamais se cumpriram, por causa do uso político do futebol, representado pela frase "Onde a Arena vai mal, um clube no Nacional." Mas com oito estados representados na Primeira Divisão (o Ceará entrou) e todos os demais estados onde se praticava futebol profissional representados nas divisões de acesso, o Campeonato Nacional era, a partir de 1971, Nacional mesmo. Um clube da Paraíba poderia ser campeão de 1973, em teoria.
O Robertão era um torneio inter-estadual, com apenas sete estados representados.
A Taça Brasil era um torneio nacional, sem dúvida. Disputado em formato de Copa.

4. Manter o critério do Brasileiro com início em 1971: Essa possibilidade também era legítima e era a minha. Sem negar a importância das edições de Taça Brasil e Robertão, não seria preciso mudar a nomenclatura para valorizá-los. Não é preciso chamar Dom Pedro I de Presidente da República para entender que o Imperador era o homem mais importante do Império. Não era preciso chamar o campeão da Taça Brasil e do Robertão de Campeão Brasileiro, para entender que ganhou o título nacional mais relevante de sua época.

O título nacional mais importante. Ressalte-se mais uma vez: para muitos torcedores, os estaduais tinham mais importância do que o Nacional, naquela época.

A história do futebol brasileiro não começou em 1971.

A história do futebol brasileiro também não começou em 1959.

A história do futebol brasileiro começa em 1894 e estabelece campeonatos importantes a partir de 1902, com os Estaduais. Mais tarde, a partir de 1923, com o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais.

Essa história não está esquecida. Nem precisa ser equiparada aos títulos nacionais de clubes do presente.

5. A obrigatoriedade do debate: A discussão para a unificação se deu com base no dossiê elaborado pelo jornalista Odir Cunha, remunerado pelos clubes interessados na unificação. Durante muito tempo, usou-se a palavra "reconhecimento". Estava errado. Os títulos de Taça Brasil e Robertão sempre foram reconhecidos. Sempre se disse que o Santos foi cinco vezes campeão da Taça Brasil, uma vez do Robertão e duas do Campeonato Brasileiro.

Mas nunca se debateu as quatro hipóteses formatadas no primeiro tópico: unificar tudo, não unificar nada, unificar só o Robertão ou unificar desde 1959 discutindo à parte os anos de 1967 e 1968.

Desse ponto de vista, é que a discussão sempre me pareceu clubística.

O anúncio da unificação, na quarta-feira, não fez as pessoas conhecerem uma história perdida. Fez apenas com que torcidas se orgulhassem de um número maior do que possuíam até a véspera. O santista comemora oito títulos brasileiros, mas poucos sabem detalhar a história desses títulos. O palmeirense, idem. Na prática, a unificação representa apenas a mudança do número de títulos brasileiros, sem nenhuma consequência na cultura do torcedor de futebol sobre a história de seu país.

Sem contar a absoluta falta de consenso sobre a decisão.

Se a CBF criasse uma comissão para estabelecer, em três meses digamos, qual o critério a ser usado para a unificação e estudar as quatro hipóteses apresentadas acima, se essa comissão tivesse legitimidade, certamente o anúncio teria melhor repercussão. O Brasil sairia com uma solução de consenso e espalharia a história de seu futebol para as gerações mais jovens.

6. O único ponto positivo: A quem gosta de história, vale se debruçar sobre os detalhes da Taça Brasil e Robertão. Isso vale. Mas pouca gente vai fazer isso. Em 2003, encomendei uma pesquisa sobre todas as fichas técnicas de todos os jogos de todas as Taças Brasil e todos os Robertões. Paguei do meu bolso uma pesquisa que levantou 80% das informações.

Em meu arquivo, tenho todas as fichas de todos os jogos do Robertão, entre 1967 e 1970.
E todas as fichas de todos os jogos de Taça Brasil, mas aqui com alguns buracos, nas partidas disputadas por clubes do eixo Norte-Nordeste. As fichas de jogos do Bahia estão bem cobertas. O Ceará, o ABC, a Tuna Luso, não estão. Mas o arquivo possui todas as fichas de todos os jogos de Grêmio, Inter, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Palmeiras, Santos (São Paulo e Corinthians não disputaram nenhuma edição da Taça Brasil), Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo e Coritiba. Essa pesquisa é o que permite dizer que Pelé é o nono artilheiro do Brasileirão unificado, com 99 gols, como exposto abaixo, neste mesmo blog.

Com o perdão de parecer prepotente, é absurdo que a CBF anuncie a unificação e, no momento seguinte, admita que não possui tal pesquisa, ainda que incompleta, como é o caso da minha.

Fazer com que mais gente conheça a história do Robertão e da Taça Brasil é o ponto positivo da unificação dos títulos brasileiros. Mas qualquer decisão deveria ter sido tomada com base num debate que levasse em conta o que está aqui exposto.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Da série "Recordar é viver"

Post publicado originalmente em 24/03/2009

Equipe do Bahia, campeão da primeira Taça Brasil, disputada em 1959/Crédito: Museu dos Esportes


Clubes querem reescrever a história do futebol brasileiro. Mas será que é justo?

Reunião ocorrida nesta terça-feira no salão nobre do Estádio Palestra Itália lançou um dossiê que reivindica o reconhecimento, por parte da CBF, como campeões nacionais. Seriam computados, caso o dossiê seja aprovado, os títulos obtidos por Santos, Palmeiras, Cruzeiro, Botafogo, Bahia e Fluminense pela Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Robertão) como títulos nacionais. Isso transformaria Santos e Palmeiras nos maiores campeões brasileiros, com oito conquistas cada um.

A minha opinião escreverei mais abaixo. Mas o companheiro Paulo Vinícius Coelho, da ESPN Brasil e da Folha de São Paulo colocou um post bem
coerente e lúcido a respeito do tema em seu blog. Registro aqui o trecho que considero o mais esclarecedor sobre esta polêmica: "Bahia, Santos, Palmeiras, Cruzeiro, Botafogo e Fluminense ganharam títulos extremamente relevantes entre 1959 e 1970. Ganharam a Taça Brasil, irmã mais velha da Copa do Brasil, e o Robertão, irmão mais velho do Brasileiro. Mas não se deve incluir esses títulos na galeria dos campeões brasileiros.
Quem conhece a história, sabe a importância de cada um deles.
Para quem desconhece, equiparar ou não não faz a menor diferença."


Particularmente, sou contra a ideia destes seis clubes. Não faz o menor sentido comparar estes títulos, mesmo sob o argumento de que eram competições que classificavam seus campeões para a Taça Libertadores.


Só abriria uma exceção: o Robertão, cuja fórmula de disputa se assemelha demais ao Brasileirão da era pré-pontos corridos. Já a Taça Brasil segue o modelo da atual Copa do Brasil (aí sim poderia ser feito o reconhecimento dos títulos).

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O polêmico (e inadequado) discurso
de Andrés Sanchez na festa da CBF

"Você ser primeiro [campeão] depois de ser rebaixado, como meu time já foi, é doloroso, mas é um orgulho voltar pela porta da frente"

Antes de mais nada, é necessário se fazer uma observação: Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, não disse nenhuma mentira em seu discurso nesta segunda-feira, no final da entrega dos prêmios Craque do Brasileirão. O Fluminense retornou à elite do futebol brasileiro SIM pela portas dos fundos, quando saltou de uma vitoriosa campanha na Série C em 1999 para a Copa JH em 2000, aquela que reuniu quase100 clubes divididos em quatro módulos e que foi decidida entre Vasco e São Caetano.

O Fluminense, o mesmo clube cujos dirigentes abriram vergonhosamente uma champanhe em 1996, quando uma mudança no regulamento do Brasileiro salvou o time do primeiro rebaixamento, que finalmente veio a ocorrer em 97.

Isto posto, Andrés Sanchez mostrou mais uma vez que apesar de posar de moderno, mostrou que não passa de um cartola comum. Além de extremamente mal educado (se bem que isso não deveria ser novidade para ninguém), teve sensibilidade de um elefante numa loja de cristais ao querer "brincar", para dizer o mínimo, com o time que acabara de superar o dele e festejava a conquista do Brasileirão.

Andrés Sanchez poderia ter passado sem este mico...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Vem aí a história da vitoriosa saga
do Fluminense no Brasileirão 2010

Após garantir, de maneira emocionante (ué, mas os pontos corridos não são um porre???) o bicampeonato brasileiro no último domingo, ao vencer o Guarani por 1 a 0, o Fluminense dará um novo presenta à sua torcida nesta quarta-feira. Será lançado pela Adidas (fornecedora de material esportivo do clube) na internet um filme que mostrará toda a trajetória do Tricolor no Brasileirão, incluindo imagens dos jogadores em hotéis, ônibus e vestiários, além dos principais gols que levaram o Flu a vencer o nacional depois de 26 anos.

Uma prévia do que a torcida tricolor poderá ver está no vídeo abaixo:


domingo, 28 de novembro de 2010

Um exercício matemático sobre como ficaria o Brasileirão com o sistema de médias

Termina mais uma rodada do Campeonato Brasileiro, a penúltima, e o que não faltou foi polêmica. Tem gente inconformada com o Palmeiras por não ter se esforçado diante do Fluminense, outros revoltados porque o Vasco fez a mesma coisa diante do Corinthians. Sem contar o que já havia ocorrido na semana passada, no 4 a 1 do Fluminense diante do São Paulo. E como consequência disso tudo, uma saraivada de críticas ao sistema de disputa do campeonato, em pontos corridos.

Em conversa com alguns colegas, e inspirado numa sugestão dada em uma coletiva pelo técnico Paulo César Carpegiani, do São Paulo, surgiram algumas ideias para minimizar a balbúrdia ocorrida nas rodadas finais do torneio - que, na minha opinião, tem mais a ver com o caráter das pessoas do que com o sistema de disputa. Além da marcação de clássicos regionais nas últimas rodadas, para tentar evitar a marmelada, e se o Brasileirão adotasse o sistema de média de pontos, como existe na Argentina?

Bem, o blogueiro aqui resolveu encarar o desafio e fez algumas contas. Vamos a elas:



Para efeito de classificação, adotei o mesmo sistema usado pelos "hermanos", que pega as três últimas temporadas, soma os pontos das equipes e divide pelo número de jogos disputados em cada uma delas. E usei ainda os seguintes critérios:

  1. Em azul, os times classificados para a Libertadores, conforme o sistema atual (na Argentina, classificam-se os campeões do Clausura, Apertura e os três melhores na soma de pontos em uma temporada);
  2. Resolvi classificar o Grêmio para a Libertadores-11, por não achar que o Goiás não ganhará do Independiente na final da Sul-Americana e por entender que o Botafogo não conseguirá derrotar o Tricolor gaúcho no Olímpico, domingo que vem;
  3. Em amarelo, os oito clubes que estariam classificados para a Sul-Americana;
  4. Em bege, os times na zona de rebaixamento
Entre as conclusões mais interessantes que pude constatar deste simples exercício matemático, estão que:


  • O Avaí não estaria brigando para fugir do rebaixamento e sim garantido na Sul-Americana do ano que vem;
  • O Goiás não estaria rebaixado;
  • Guarani e Grêmio Prudente, ambos com campanhas ridículas, já estariam rebaixados;
  • Vasco e Atlético-GO, se fosse adotado o mesmo sistyema de playoff na Argentina, jogariam sua permanência na elite do futebol brasileiro com Bahia e América-MG, respetivamente 3º e 4º colocados da Série B;
  • E por fim, o que achei mais interessante em toda esta numeralha, é perceber que o Vasco teria disputado as últimas rodadas do Brasileiro com muito mais vontade do que de fato disputou. Inclusive neste jogo contra o Corinthians

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

No Campeonato Brasileiro das polêmicas,
a culpa só não é dos pontos corridos

Fred chuta para fazer um dos gols do Fluminense contra o São Paulo/Crédito: site oficial do Fluminense

O amigo e eterno provocador Fábio Salgueiro tentava, desde o último domingo, tirar de mim algumas palavras em relação a mais uma polêmica rodada do Campeonato Brasileiro. Desta vez, em razão da goleada sofrida pelo São Paulo para o Fluminense por 4 a1, que somado ao empate em 1 a 1 entre Vitória e Corinthians, deu ao Tricolor carioca a liderança da competição, com um ponto de vantagem sobre o Timão. Para a maioria absoluta dos torcedores, o São Paulo, se não entregou deliberadamente o jogo para o Fluminense, não fez o menor esforço em plena Arena Barueri.


Fábio, companheiro de tantos anos no Diário de S. Paulo e um crítico feroz do sistema de pontos corridos, me perguntava no domingo, pelo Twitter o que eu tinha achado da "marmelada" em Barueri. Como eu tinha algo mais importante para fazer - assistir ao inesquecível show de Paul McCartney -, disse que só iria escrever sobre o assunto no dia seguinte. E após ver os gols, ouvir programas esportivos, ler jornais etc,  tenho uma convicção: se existe algo que não pode ser atacado ou criticado na polêmica reta decisiva do Brasileiro é o seu sistema de disputa.

Explico: já cansei de dizer neste blog que considero o sistema de pontos corridos o mais justo para um torneio no formato de liga, campeonato. O velho e bom mata-mata pode, e deve, ficar restrito aos torneios eliminatórios, como Copa do Brasil. Até considero que uma forma de atenuar as possíveis "entregadas" de jogo seria colocar clássicos estaduais nas rodadas decisivas. Mas até isso é questionável, como o leitor e amigo Rubens Leme da Costa disse outro dia, lembrando o dia em que o Palmeiras colocou os reservas para enfrentar o Corinthians na final do Paulistão de 1999.


A marmelada entre Alemanha x Áustria, na Copa de 82

Eu acho, no final das costas, que não existe sistema imune a marmeladas. Um time amolecer para prejudicar um rival estadual pode acontecer em mata-mata também, cara-pálida! Se alguém me provar o contrário, rasgo o meu diploma na hora.

E já tivemos marmaledas até em jogos de Copa do Mundo, como a derrota da Alemanha Ocidental para a sua irmã Oriental, em 1974, com o objetivo de escapar de um confronto com Holanda e Brasil na segunda fase, e em 1982, quando a mesma Alemanha Ocidental fez 1 a 0 na Áustria, logo no começo do jogo, e depois ficou tocando a bola de lado, evitando marcar mais gols nos austríacos, acabando com as chances de classificação da Argélia, que terminou com o mesmo número de pontos dos dois rivais, mas levava desvantagem no saldo de gols.

O problema, caros inimigos dos pontos corridos, está no caráter do ser humano. Quanto a isso, infelizmente, não inventaram nenhum sistema de disputa perfeito, seja no futebol, seja na vida. Teve até um barbudo, quase dois mil anos atrás, que tentou mudar as coisas, mas que também não teve muito sucesso na empreitada.

Os sempre competentes amigos do blog Esporte Fino fizeram um ótimo post que também trata deste assunto. Clique aqui para ler.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Ameaça de marmelada coloca os pontos corridos do Brasileirão na berlinda


Nesta madrugada, voltando para casa após a rodada, tive o desprazer de ouvir o apresentador Nelo Rodolfo (um chato de galocha, diga-se de passagem), da rádio Jovem Pan, soltar uma opinião que, infelizmente, começa a se tornar um pouco comum no meio esportivo: que a ameaça de "marmelada" de alguns times na reta final do Brasileiro ameaça o futuro do sistema de pontos corridos. Para o apresentador, já está na hora de se acabar com este sistema de disputa e promover o retorno do mata-mata, com a classificação de oito clubes para a fase decisiva, a exemplo do que ocorrerá no próximo Campeonato Paulista, exemplo de campeonato ideal na opinião do radialista.

A tese defendida por Nelo Rodolfo é fajuta, na minha opinião. Quem me conhece, sabe que defendo os pontos corridos como o sistema ideal para a disputa de um campeonato, deixando o mata-mata para torneios eliminatórios como a Copa do Brasil. Mas é inegável que a sombra dos jogos estranhos ameaça a lisura do torneio.

A culpa, porém, não é de um sistema de disputa. Não me lembro de ler ou ouvir coisas semelhantes à respeito ocorrendo na Itália, Espanha ou Inglaterra, até porque nenhuma cidade tem mais do que duas equipes em suas principais ligas. Já houve, sim, caso de manipulação de resultados na Itália, envolvendo a Juventus, mas por outros motivos e não pelo que ocorre aqui, onde o motivo é a rivalidade feroz entre as equipes.

Para aqueles que, mais românticos, insistem em dizer que marmelada não existe no futebol, a entrevista do técnico Tite, do Corinthians, para Juca Kfouri, na ESPN, confirmando que um caso destes ocorreu num jogo envolvendo uma equipe que ele dirigia, é definitiva.

Se São Paulo e Palmeiras vão "facilitar" para o Fluminense (sendo que o Palmeiras tem até motivos reais, por estar envolvido na reta decisiva da Copa Sul-Americana), ninguém pode ter certeza. Talvez o ideal, até para preservar o sistema de disputa ideal para um campeonato, fosse mesmo colocar clássicos regionais nas últimas duas rodadas do Brasileiro. Duvido que alguém colocaria time misto em um São Paulo x Corinthians, Botafogo x Fluminense, Vasco x Flamengo ou Palmeiras x Santos.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Perguntar não ofende

Caso o São Paulo entre com, vamos dizer assim, "pouca motivação" no jogo contra o Fluminense, perca o jogo e o resultado desta partida prejudique o Corinthians na birga pelo título do Campeoanto Brasileiro, será que o promotor Paulo Castilho irá algemar os jogadores do Tricolor ao final da partida?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ilsinho e a dor de cotovelo


Atualizado em 9/11
“Aceita cartão de crédito internacional? Ou só nacional?”

Lateral-direito Ilsinho, do São Paulo, mostrando, no Twitter, uma incrível dor de cotovelo, além de falta de bom humor e espírito esportivo, ao comentar a provocação do site oficial do Corinthians, que após a vitória no clássico estampou a frase "CPF na nota?", em alusão à freguesia de mias de três anos sem derrota para o rival

domingo, 7 de novembro de 2010

E a fila vai aumentando...

Reprodução da página inicial do site do Corinthians
Já são 11 jogos que o Corinthians não perde para o São Paulo. Mais precisamente, três anos e três meses. Ou 1.212 dias. E não está dando pinta de que vai acabar tão cedo...

Abaixo, os 11 jogos do tabu  do Corinthians contra o São Paulo

14/07/2007 - Corinthians 1 x 1 São Paulo (Brasileirão/Morumbi)
07/10/2007 - São Paulo 0 x 1 Corinthians (Brasileirão/Morumbi)
27/01/2008 - São Paulo 0 x 0 Corinthians (Paulistão/Morumbi)
15/02/2009 - São Paulo 1 x 1 Corinthians (Paulistão/Morumbi)
12/04/2009 - Corinthians 2 x 1 São Paulo (Paulistão/Pacaembu)
19/04/2009 - São Paulo 0 x 2 Corinthians (Paulistão/Morumbi)
21/06/2009 - Corinthians 3 x 1 São Paulo (Brasileirão/Pacaembu)
27/09/2009 - São Paulo 1 x 1 Corinthians (Brasileirão/Morumbi)
29/03/2010 - Corinthians 4 x 3 São Paulo (Paulistão/Pacaembu)
22/08/2010 - Corinthians 3 x 0 São Paulo (Brasileirão/Pacaembu)

07/11/2010 - São Paulo 0 x 2 Corinthians (Brasileirão/Morumbi)

O melhor jogo deste domingo
pelo Campeonato Brasileiro


Que São Paulo x Corinthians, Fluminense x Vasco, Avaí x Botafogo ou Vitória x Cruzeiro. O melhor jogo da 34ª rodada do Campeonato Brasileiro acontecerá em Porto Alegre, no Estádio Beira-Rio, com o show deste senhor aí da foto acima. Não tem pra ninguém!

E que venha logo o dia 21/11.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Maior jejum brasileiro de títulos não chega nem perto da seca do San Francisco Giants

Jogadores do San Francisco Giants comemoram a conquista da MLB

Ao derrotar nesta segunda-feira o Texas Rangers, fechar a série decisiva em 4 a 1 e conquistar o título da temporada 2009/10 da MLB (a liga profissional de beisebol dos EUA), o San Francisco Gaintes encerrou um jejum de 56 anos sem conquistas. A última conquista da franquia ocorreu em 1954, quando ainda defendia a cidade de Nova York.


Ficar mais de meio século sem comemorar um título parece ser algo fora do comum. Mas não chega nem perto do sofrimento da torcida do Chicago White Sox, que ficou 88 anos sem comemorar um título, desde a conquista da Word Series (forma como os americanos definem a série decisiva da liga de beisebol) de 1917. O jejum só foi quebrado em 2005.

Comparados a estes períodos de seca, os jejuns dos clubes brasileiros parecem meros breves intervalos sem glória. Tomando-se em conta os campeonatos englobando disputas nacionais no Brasil, quem mais se aproxima dos sofredores clubes do beisebol dos EUA é o Atlético-MG. O Galo não comemora um título nacional há 39 anos, desde a primeira (e única) conquista do time mineiro, no Brasileiro de 1971.

Os cinco maiores "jejuns" de títulos em torneios brasileiros são os seguintes:

  1. Atlético-MG - 1971 (Brasileirão) - 39 anos
  2. Guarani - 1978 (Brasileirão) - 32 anos
  3. Coritiba - 1985 (Brasileirão) - 25 anos
  4. Bahia - 1988 (Brasileirão) - 22 anos
  5. Internacional - 1992 (Copa do Brasil) - 18 anos

sábado, 30 de outubro de 2010

Palhaçada para Felipão nenhum botar defeito

Do portal iG Esporte, publicado em 30/10/2010



O protesto bem-humorado dos repórteres em Barueri/Crédito: Futrura Press


Jornalistas usam nariz de palhaço
para protestar contra Felipão


Repórteres mostraram insatisfação com respostas de treinador
palmeirense logo após jogo contra o Atlético-MG


Danilo Lavieri, iG São Paulo

As horas que antecederam o encontro entre Palmeiras e Goiás na Arena Barueri foram marcadas por protesto contra Luiz Felipe Scolari. Cerca de 15 jornalistas, principalmente de rádio e de televisão, usaram um nariz de palhaço.

Ao encontrar o protesto assim que desceu do ônibus, Felipão deu um leve sorriso, assim como alguns de seus jogadores.

A manifestação foi organizada algumas horas antes do jogo para mostrar repúdio à atitude de Felipão de chamar jornalistas de palhaço logo após o jogo contra o Atlético-MG no meio da semana.

Felipão participou de um encontro na sexta-feira com o presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo), Luiz Ademar, para aparar as arestas com a imprensa. Na reunião, ficou definido que o treinador encontrará jornalistas para um bate-papo em breve.

A nova camisa do Palmeiras

O atacante Kleber com o novo uniforme do Palmeiras/Crédito: Divulgação

Nos últimos anos, o Palmeiras tem sido o clube que melhor sou aproveitar o marketing de ocasião com o lançamento do terceiro uniforme. Tudo bem que às vezes os marqueteiros erram na mão e fazem o time atuar com umas camisas bem esquisitas. Mas que é um sucesso de público e venda, isso ninguém discute.


Neste sábado, diante do Goiás, pelo Campeonato Brasileiro, o Verdão fará a estreia de sua terceira camisa para o restante da temporada 2010 e para a temporada 2011. O modelo foi inspirado no rugby, com dois tons horizontais de verde e uma gola branca.

No mínimo, uma camisa ousada.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A baixaria futebolística no futebol paulista


O escudo do Americana, o mais novo clube-itinerante do futebol paulista

Excelente reportagem publicada nesta terça-feira pelo iG Esporte e assinada por Marcel Rizzo fala sobre o verdadeiro clima de guerra existente na cidade de Guaratinguetá, após a decisão da Sony Sports, proprietária do Guaratinguetá Futebol Ltda, de transferir o clube para Americana em 2011. Com isso, Guará deixará de ter um representante na Série B do Brasileiro do ano que vem e também do próximo Campeonato Paulista.

Trata-se de mais um capítulo desta verdadeira baixaria que vem atacando o futebol paulista nos últimos anos, a começar pelo Grêmio Prudente, que deixou Barueri na mão tão logo terminou o último Paulistão. Segundo a reportagem do iG, a Federação Paulista de Futebol, que neste ano aumentou a multa para mudança de sede de R$ 300 mil a R$ 800 mil, estuda até aumentar a punição para R$ 2 milhões. Sinceramente,. Acho até pouco.


Esportivamente, é um absurdo este troca-troca de cidades. Os times não mostram qualquer identificação com a população local, não criam raízes. E nem adianta neguinho vir com o argumento “ah, na NBA é assim”, porque não cola, são culturas esportivas completamente diferentes.


De acordo com o iG, são oito mudanças no futebol paulista desde 2005, quando a FPF criou a tal “taxa de mudança”, todas de times menores. A mudança do Barueri para o Prudente, e agora do Guaratinguetá para Americana, podem sinalizar que esta será uma moda que infelizmente tem tudo para pegar. E não apenas em São Paulo.


Azar do futebol brasileiro.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Conmebol faz lambaça ao tentar transformar a Copa Sul-Americana em algo aproveitável




Junte uma entidade anacrônica, parada no tempo; some-se a ela uma outra que só esta preocupada em faturar, seja com sua seleção principal, seja organizando uma Copa do Mundo; por fim, coloque ao lado de tudo isso um torneio meia-boca, que reúne equipes do terceiro escalão do continente com outras que só escalam reservas nas partidas que disputam.

O resultado deste prato pra lá de indigesto chama-se Copa Sul-Americana, um torneio que existe desde a temporada de 2002 e que conta com a presença de equipes do Brasil desde 2003. O problema é que a competição não carregava atrativo algum - a não ser, é óbvio, a cota da TV - e por isso as equipes nacionais escalavam somente equipes mistas, de olho no Brasileirão. Eis que a realidade mudou este ano, com a Conmebol garantindo que a Sul-Americana daria a seu campeão uma vaga na Taça Libertadores de 2011.

Mas eis que as coisas começaram a se complicar para o Brasil, após a Conmebol dizer que o Brasil perderia uma das vagas para o ano que vem. Como o Internacional garantiu o título e a vaga antecipada, o Brasil teria que abrir mão de uma destas vagas para o campeão da Sul-Americana, transformando o G-4 da classificação do Brasileiro em G-3.

Muita conversa, muita articulação, até que nesta segunda, a CBF anunciou com toda a pompa que graças à força política de seu presidnete, Ricardo Teixeira, o Brasil havia recuperado a quarta vaga do Brasileiro para a próxima Libertadores. Mas...desde que o campeão da Sul-Americana não seja um time brasileiro! Se isso ocorrer, tudo volta a ser como antes. Que lambança!


Mais fácil seria se a Conmebol deixasse o Brasil (ou a Argentina, se um de seus clubes ganhar a Liubertadores) com uma vaga a mais e tirasse um destes times bizarros da Bolívia, Venezuela, México etc, que em nada acrescentam tecnicamente à competição.

Querer lógica e bom senso da Conmebol ou da CBF, contudo, é ser muito exigente.

Confira aqui a tabela completa e atualizada da Copa Sul-Americana

Do lado de quem Andrés Sanchez irá ficar?




"A gente não gostou [do protesto]. Foram gritos direcionados a companheiros nossos, pessoas que gostamos muito. Não vamos aceitar certas coisas. Precisa ter limite"

Roberto Carlos, lateral-esquerdo do Corinthians, irritado com os novos protestos dos sempre "ponderados" membros da Gaviões da Fiel, realizados no treino do último sábado. O que será que o presidente da Gavi...ops, do Corinthians, Andrés Sanchez, fará a respeito?

sábado, 16 de outubro de 2010

Ronaldo sente a pressão da Fiel torcida.
E não está nem um pouco satisfeito


"O torcedor tem o direito de torcer na arquibancada. A partir do momento que ele vem ao nosso treino nos insultar, perde a razão. Precisamos ser mais civilizados"


Atacente Ronaldo Fenômeno, durante uma transmissão da Twitcam, a ferramenta do Twitter que usa uma webcam, reclamando do protesto realizado por cerca de 200 integrantes da Gaviões da Fiel, que exigiu mais raça e comprometimento dos jogadores do Corinthians, entre eles o próprio Ronaldo.


Observação do blogueiro: engraçado como o twiteiro mais famoso do esporte brasileiro demonstra surpresa e indignação com a manifestação dos baderneiros organizados, verdadeiros donos do Corinthians, graças a seu presidente omisso e comprometido até o último fio de cabelo com as organizadas. Quer dizer que os outros protestos - que inclusive culminaram com a demissão do técnico Adilson Batista - foram perfeitamente normais? E quando pegam no seu pé, Ronaldo, aí neste caso não vale, é?

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