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sexta-feira, 28 de maio de 2010

As cascas de banana de Magnano

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 28 de maio do Diário de S. Paulo

Nada surpreendente a lista de convocados da seleção brasileira masculina de basquete, divulgada ontem pelo técnico argentino Rubén Magnano. Assim como Dunga não causou nenhum espanto ao anunciar os 23 nomes do time que brigará pelo hexacampeonato na Copa do Mundo da África do Sul, a relação dos atletas chamados por Magnano para o Sul-Americano da Colômbia e para o Mundial da Turquia seguiu a lógica.

Mas (sempre tem um mas...), entre os 24 jogadores que Magnano escolheu o Sul-Americano, de 26 e 31 de julho, existem dois que podem ser classificados como “apostas de risco”: o armador Nezinho, do Universo/BRB, e o ala Marquinhos, do Sutor Montegranaro, da Itália.

Para aqueles que têm memória curta, os dois protagonizaram os momentos mais lamentáveis da história recente do basquete masculino brasileiro, durante o Pré-Olímpico das Américas de Las Vegas, em 2007. Marquinhos é aquele que ao chegar ao Brasil, após ter sido cortado por contusão, disse cobras e lagartos, criticando especialmente o técnico Lula Ferreira. Já Nezinho deixou o treinador com cara de tacho, ao se recusar a entrar em quadra nos minutos finais do jogo contra o Uruguai, como forma de protesto por não estar sendo aproveitado.

É óbvio que estas duas cascas de banana não serão os astros do time de Magnano. Para isso, ele se apoia em Nenê, Leandrinho, Varejão, Thiago Splitter, Huertas, Guilherme e Alex. Ainda bem. E que Marquinhos e Nezinho saibam aproveitar esta chance, pois pode ser a última.

A coluna Diário Esportivo, assinada por este blogueiro, será interrompida durante a Copa do Mundo e voltará a ser publicada no Diário de S. Paulo no dia 16 de julho

Foto: Nezinho (à esquerda), do Universo/BRB, recebeu uma nova chance na seleção brasileira

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Um MVP para impor respeito

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 21 de maio do Diário de S. Paulo

Pelo jeito, os ventos estão soprando a favor da seleção brasileira masculina de basquete. Há pouco mais de três meses do início da principal competição do ano para a modalidade, o Mundial da Turquia, um dos craques da equipe comandada pelo argentino Rubén Magnano chegará com moral bem elevado. O pivô Tiago Splitter acaba de ser eleito o MVP (Jogador Mais Valioso) da temporada regular do Campeonato Espanhol, onde defende o Caja Laboral. Trata-se de um feito notável. Depois da milionária e badalada NBA, a liga espanhola é o campeonato de basquete mais importante do mundo.

O prêmio serviu também para Tiago Splitter reforçar a imagem de jogador consistente e talentoso que vem construindo nos últimos anos. A ponto inclusive de fazer com que o San Antonio Spurs, que escolheu o jogador brasileiro no draft da NBA em 2007, sonhe em contar com ele na próxima temporada, conforme revelou o DIÁRIO nesta última quinta-feira, em reportagem de José Eduardo Martins.

Tudo isso somado acaba indiretamente beneficiando a seleção brasileira. Primeiro, porque não é toda hora que se pode contar com um MVP do Campeonato Espanhol em seu time titular para impor respeito. Depois, a boa fase dos jogadores que atuam na NBA também aumenta o otimismo. Nenê Hilário e Ânderson Varejão fizeram um belo campeonato, enquanto Leandrinho ainda disputa os playoffs com o Phoenix Suns, com chance de título. Definitivamente, Rubén Magnano é um cara de sorte.

Foto: Splitter em açõa contra o Panamá, pelo Pré-Mundial de 2009
Crédito: Divulgação/Fiba Américas

A coluna Diário Esportivo, assinada por este blogueiro, é publicada às sextas-feiras no Diário de S. Paulo

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O atletismo encara sua inquisição

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 14 de maio do Diário de S. Paulo

Em um primeiro momento, pode até parecer cruel a decisão do STJD da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) em banir definitivamente da modalidade os técnicos Jayme Netto e Inaldo Sena. Os dois foram excluídos em razão do turbulento caso de doping de cinco atletas da extinta equipe Rede, de Bragança Paulista, que explodiu às vésperas do Campeonato Mundial de Berlim, no ano passado. O episódio foi agravado pela confissão dos treinadores de que aplicaram conscientemente a substância dopante EPO (eritropoietina recombinante) nos atletas.

Para aumentar a dramaticidade da decisão anunciada pelo STJD, está o próprio currículo de Jayme Netto, responsável por formar a equipe do revezamento 4 x 100m rasos, medalha de prata nas Olimpíadas de Sydney, em 2000. Mas apesar do treinador apresentar uma longa folha de bons serviços prestados ao atletismo brasileiro, o banimento não pode ser encarado como uma espécie de inquisição esportiva.

Jayme Netto pode ser chamado de tudo, menos de ingênuo. Ao recomendar a aplicação das injeções de EPO em seus atletas, ela sabia que estava jogando sujo. Com isso, ajudou a fazer o atletismo nacional ter o ano mais vergonhoso de sua história.

Netto e Sena precisam agora reconstruir suas vidas. O atletismo é passado para eles. Deveriam seguir o exemplo da estrela americana Marion Jones, três medalhas de ouro olímpicas e que perdeu tudo por conta do doping. Amanhã, ela retorna ao esporte, aos 34 anos, só que jogando basquete na WNBA.

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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Ufa! Cielo põe o dedo na ferida

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 7 de maio do Diário de S. Paulo

Deveria constar de alguma cartilha para ídolos do esporte que não basta apenas fazer bem o seu trabalho, ganhar medalhas ou conquistar títulos. No meu mundo ideal, eles não poderiam se omitir em dar opiniões desagradáveis aos cartolas e nem se calar diante de decisões absurdas. Mas enquanto a maioria absoluta destas estrelas opta por manter uma postura alienada, eis que surge o nadador Cesar Cielo para dar uma chacoalhada neste quadro.

O campeão mundial e olímpico dos 50m livre sabe usar como poucos a força de suas conquistas para cutucar a estrutura da natação brasileira e também a CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos). Logo depois de ganhar o ouro olímpico em Pequim-08, Cielo declarou em alto e bom som que a entidade que comanda a natação do Brasil pouco contribuiu para o seu sucesso.

Embora tivesse baixado o tom das críticas após brilhar no Mundial de Roma de 2009 — quando ganhou os 50m e 100m livre —, eis que Cielo voltou com carga total este ano. Contundente, bateu forte na decisão da CBDA em escolher a Unisanta para ser a sede do Troféu Maria Lenk. De forma correta e madura, Cielo diz não entender como se abre mão de um complexo aquático moderno como o Maria Lenk, que consumiu milhões de reais para receber as provas do Pan-2007, no Rio. “Algumas vezes, vejo que ainda estamos andando para trás”, disparou.

É somente com atitudes como esta de Cesar Cielo que a arcaica estrutura do esporte brasileiro irá mudar. Vida longa aos rebeldes com causa.

Foto: Satiro Sodré/CBDA

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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Falta de respeito na versão 2.0

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 30 de abril do Diário de S. Paulo

No ótimo filme “Amor sem Escalas”, que concorreu em cinco categorias no último Oscar e saiu de mãos abanando, o personagem interpretado por George Clooney trabalha para uma empresa terceirizada e viaja pelo país inteiro com a tarefa de demitir pessoas. Até que uma nova funcionária cria um método de demissões on-line à distância que atrapalha consideravelmente a vida de Clooney.

Antes que o leitor chame o colunista de maluco e pense que está no caderno errado, a lembrança do filme tem a ver com o inacreditável episódio do fim do patrocínio da Blausigel ao time feminino de vôlei do São Caetano. Em uma demonstração rara de falta de respeito, a direção da empresa comunicou às atletas, por um simples e frio e-mail, a decisão de não patrocinar mais a equipe na próxima temporada. Somente dois anos depois de ter iniciado o investimento.

O que se tira deste lamentável episódio é que nem mesmo um esporte tão organizado como o vôlei consegue escapar da bagunça. Por mais que a prefeitura de São Caetano garanta a manutenção da equipe, sabe-se que a menos que apareça um mecenas disposto a abrir os cofres, será impossível manter o time no nível do atual, que ficou em terceiro na última Superliga. Ou seja, desemprego à vista.

Na verdade, existe um claro problema na forma de se administrar o esporte olímpico brasileiro, tanto por parte de quem patrocina como de quem é patrocinado. Paternalismo e falta de comprometimento são pecados comuns. Uma realidade que pelo jeito não irá mudar tão cedo.

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

A incrível máquina de fazer pontos

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 23 de abril do Diário de S. Paulo

Quem viu o set decisivo da final da Superliga feminina de vôlei, no último domingo, certamente se lembra de uma cena impressionante: a cada ponto que marcava pelo Sollys/Osasco diante do Unilever/Rio, a atacante Natália saia para comemorar furiosamente com suas companheiras. Parecia até que estava transtornada. De fato, Natália jogou com raiva, graças a um cartão amarelo recebido no terceiro set e que rendeu um ponto ao time carioca. O resultado de tanta indignação: 28 pontos marcados pela jovem catarinense, de 21 anos, quase 30% do total marcado pelo Osasco.

A fantástica atuação de Natália foi o ponto alto de um jogo para entrar na história do vôlei feminino brasileiro, e que culminou com a vitória do time paulista, quebrando um jejum de quatro vice-campeonatos seguidos na Superliga. Mas se já seria natural esperar um duelo emocionante, até pelo histórico de rivalidade entre Sollys e Unilever, a marcante atuação de Natália (segunda maior pontuadora do torneio) mostrou que estamos diante de uma feroz máquina de fazer pontos.

Mas é bom avisar: não se trata de uma nova Ana Moser. Embora o poder de ataque das duas seja semelhante, Ana Moser tinha um ótimo passe, além de jogar demais. Natália tem um enorme potencial, mas ainda precisa evoluir muito nas quadras.

O único ponto negativo da decisão da Superliga foi seu próprio regulamento. É de uma burrice inaceitável que um torneio cuja fase de mata-mata foi toda em melhor de três jogos tenha sido decidido numa só partida.

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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Triste fim da escola de campeões


Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 16 de abril do Diário de S. Paulo

Pode ter terminado de forma melancólica, na última terça-feira, uma parte significativa da história recente do esporte brasileiro. O Brasil Vôlei Clube, que traz em seu DNA toda a tradição do antigo Banespa — e que após a venda do banco foi rebatizado de Santander —, ainda respira por aparelhos, mas deverá mesmo acabar por falta de patrocínio. Se o motivo do fechamento não chega a ser novidade, é de se lamentar profundamente que o encerramento das atividades do clube termine, por tabela, com a maior escola formadora de talentos do vôlei brasileiro.

Ao ser eliminado terça-feira pelo Montes Claros nas quartas de final da Superliga masculina, o time de São Bernardo também acabou com um ciclo de sofrimento que já durava desde agosto do passado, quando o Santander anunciou a retirada do investimento. O pior de toda esta história, para mim, é saber que o maior fornecedor de mão de obra do vôlei do Brasil irá fechar as portas.

Um número apresentado em uma reportagem do DIÁRIO da última quarta-feira, de autoria de Marta Teixeira, mostra a importância do Banespa (não consigo me acostumar a chamar este time por outro nome): em seus 26 anos de atividade ininterruptos, nada menos do que 23 jogadores formados pelo clube chegaram à seleção brasileira adulta. Nomes da importância de Marcelo Negrão, Tande, Giovane, Ricardinho, Murilo, Gustavo, Rodrigão. Todos craques, todos campeões. O fechamento do Banespa é, também, o fim de uma parte do vôlei do Brasil.

Foto: Um dos históricos times do Banespa, com Marcelo Negrão (nº 1), Giovane (3), Amauri (15), Montanaro (4) e Maurício (na fila de baixo, o terceiro da direita para a esquerda)
Crédito: reprodução


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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Cavalo de Aço agora é imortal

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 9 de abril do Diário de S. Paulo


“Se o Ubiratan jogasse em um país de Primeiro Mundo, já teria entrado no Hall da Fama há muito tempo.”

A frase acima é de Wlamir Marques, ex-ala da seleção brasileira e foi publicada pelo DIÁRIO na edição de 18/07/2002, um dia após a morte de Ubiratan Pereira Maciel. Amigo do ex-pivô, companheiro na campanha do título mundial de 1963 e na conquista da medalha de bronze olímpica em Tóquio (64), Wlamir não se conformava com a ausência de Bira no Hall da Fama do Naismith Memorial, em Springfield (EUA), que reúne as maiores lendas do basquete mundial.

Desde a última segunda-feira, Wlamir não precisa ficar mais inconformado. Os dirigentes do Hall da Fama aprovaram a entrada de Ubiratan entre os imortais do basquete, colocando-o no mesmo patamar de monstros sagrados como Michael Jordan, Larry Bird, Magic Johnson, Isiah Thomas, entre outros craques inesquecíveis. E que fique bem claro: a presença do velho Bira no Hall da Fama americano (ele já havia sido incluído no Hall da Fama da Fiba no ano passado) é mais do que justa.

O “Cavalo de Aço”, como Bira era chamado, foi o mais importante pivô da história do basquete brasileiro. Conciliava uma agilidade impressionante na luta pelos rebotes com muita garra dentro da quadra. Participante ativo da geração de ouro do Brasil, foi vice-campeão mundial em 1970, na extinta Iugoslávia. Ainda foi bronze nos Mundiais do Uruguai (67) e Filipinas (78). Este prêmio é mais um rebote que o grande Bira pegou lá no céu.

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sexta-feira, 2 de abril de 2010

A arriscada aposta de Cesar Cielo

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 2 de abril do Diário de S. Paulo

Foi surpreendente, para dizer o mínimo, a decisão do nadador Cesar Cielo em assinar contrato até o final do ano para defender o Flamengo. Isso depois de ter recusado uma proposta milionária para nadar pelo Corinthians e ser uma das estrelas do Timão no ano do centenário. O motivo principal para esta escolha teria sido a credibilidade do projeto apresentado pela presidente do clube rubro-negro, Patrícia Amorim, que foi uma das principais nadadoras do Brasil.

Talvez nunca iremos descobrir o que levou Cielo a optar pelo time carioca. Comenta-se que ele abriu mão de ganhar R$ 130 mil no Timão para receber cerca de R$ 50 mil no Flamengo. E o mês na Gávea, todo mundo sabe, costuma ter mais do que os 30 dias da folhinha.

Já são famosos os casos de atrasos no pagamento de salário das equipes olímpicas flamenguistas, como o time masculino de basquete e dos integrantes da ginástica artística. Mesmo com todo este “currículo” pouco recomendável, Cielo ainda assim optou em defender o Flamengo.

O fato é que não é o dinheiro que motiva Cesar Cielo a encarar a aventura no Rubro-negro. O campeão mundial dos 50m e 100m livre encontrará em Patrícia Amorim alguém em condições de dialogar com ele no mesmo nível. Se no Timão Cielo teria que dividir o seu tempo entre as piscinas e as gravações de vários comerciais (fundamentais para completar o seu polpudo salário), no Flamengo sua única preocupação será treinar. Agora, se irá receber no fim do mês, é outra história.

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sexta-feira, 26 de março de 2010

O confuso retorno de Ricardinho

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 25 de março do Diário de S. Paulo

Do ponto de vista estritamente técnico, não poderia ser melhor para o vôlei brasileiro a notícia da pré-convocação do levantador Ricardinho para o grupo da seleção brasileira que disputará a Liga Mundial, a partir do próximo mês de junho. É claro que sua presença na equipe só será assegurada definitivamente após uma conversa direta com o técnico Bernardinho. Se forem aparadas todas as arestas de sua polêmica saída da equipe nacional, ocorrida pouco antes da disputa dos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio, Ricardinho estará mesmo de volta à seleção. O que ninguém pode garantir é se internamente, seu retorno está sendo bem recebido pelo grupo.

A tomar como base as declarações de alguns dos líderes da equipe, desde a pré-convocação de Ricardinho, no dia da apresentação certamente haverá um clima de tensão no ar. “Precisamos ver a vontade dele de se ajustar ao grupo”, disse o capitão Giba, em uma nota oficial. “A imagem deixada em 2007 foi que um grupo unido não tolera estrelismos e vaidades”, escreveu o meio Gustavo (que já abandonou a seleção) no Twitter. “Nesse tempo todo (do afastamento) ele não quis nenhuma aproximação e também não sei se vou aceitar essa aproximação tão facilmente”, disparou o meio Rodrigão.

É bom Ricardinho estar preparado. Se por um lado ninguém discute sua condição técnica — é considerado um dos maiores levantadores da história do vôlei —, por outro todos conhecem seu gênio difícil. Pelo jeito, esta novela ainda vai longe.

Foto: Divulgação/CBV

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sexta-feira, 19 de março de 2010

Fabiana dá um salto de qualidade

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 19 de março do Diário de S. Paulo

Pense um pouco e reflita com honestidade: você imaginou que seria possível um dia o Brasil formar um campeão mundial no salto com vara? O que dirá então do salto com vara feminino, modalidade que mal completou duas décadas de existência em competições oficiais e que tem uma hegemonia quase imbatível da russa Elena Isinbayeva, um verdadeiro mito do esporte. Por tudo isso, tem que se tirar o chapéu para o feito da paulista Fabiana Murer, que no último domingo garantiu a inédita medalha de ouro no Mundial Indoor (pista coberta) de Doha, no Qatar. E se pensarmos que há exatos dez anos Fabiana saltou 3m79 em uma prova indoor nos Estados Unidos, é impressionante ela ter conquistado o título mundial com 4m80, marca inclusive inferior ao seu próprio recorde sul-americano, que é de 4m82.

O evidente salto de qualidade na carreira de Fabiana Murer só não é maior do que sua postura realista. “Quando a Isinbayeva está bem, a gente entra para disputar a prata”, reconheceu a nova campeã mundial ao repórter Alessandro Lucchetti, do DIÁRIO, no dia em que voltou ao Brasil. Fabiana tem a verdadeira noção de suas qualidades e defeitos. Sabe que tem que treinar muito mais do que suas concorrentes, até para superar a diferença física existente entre elas. Para completar, a má fase da estrela russa um dia irá acabar. Além de passar em branco em Doha, Isinbayeva já havia fracassado no Mundial de Berlim no ano passado. Alheia à tudo isso, Fabiana Murer segue em frente. E cada vez mais alto.

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sexta-feira, 12 de março de 2010

Yes, nós temos treinador!

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 12 de março do Diário de S. Paulo

Parece que virou moda, quase um hit deste fim de verão escaldante em terras brasileiras. Agora, qualquer equipe olímpica que se preze tem que contar com um treinador estrangeiro comandando sua comissão técnica. Só neste início de 2010, três técnicos gringos foram contratados: no basquete, o consagrado argentino Rúben Magnano dirigirá a seleção masculina e o desconhecido espanhol Carlos Colinas será o novo comandante da equipe feminina. Já o polo aquático, bem menos badalado, já acertou a chegada do croata Goran Sablic para o time masculino e promete fechar com um holandês para chefiar a seleção feminina.

Longe de querer imitar Policarpo Quaresma e defender a mão de obra nacional com unhas e dentes, acho que a presença dos treinadores estrangeiros traz enormes benefícios ao esporte brasileiro. Aliás, nem se trata de uma novidade. Várias modalidades há anos bebem na fonte dos técnicos gringos, como o atletismo, o boxe, o handebol e a ginástica artística feminina, que por sinal evoluiu indiscutivelmente sob o comando do ucraniano Oleg Ostapenko até 2008.

Mas algo me incomoda nesta frenética abertura de mercado aos técnicos estrangeiros. Antes de fazer o investimento em trazer treinadores do exterior, os cartolas brasileiros deveriam primeiro se preocupar em preparar técnicos para trabalhar com a formação de atletas e que conheçam profundamente os problemas do esporte brasileiro. Do contrário, a contratação dos gringos será apenas uma modinha passageira.

Foto: Rubén Magnano, um dos técnicos estrangeiros que irão trabalhar no Brasil em 2010
Crédito: Gaspar Nóbrega/CBB


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sexta-feira, 5 de março de 2010

A rainha e os bobos da corte


Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 5 de março do Diário de S. Paulo

Totalmente previsível o desfecho da novela para a definição do novo técnico da seleção brasileira feminina de basquete, que culminou com a escolha do espanhol Carlos Colinas para comandar a equipe em seu principal desafio de 2010, o Campeonato Mundial da República Tcheca. Mesmo sem surpresas, o final deste episódio mostrou o quanto a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) e sua diretora Hortência Marcari falharam na condução da troca de comando da seleção.

O maior de todos os pecados cometidos por Hortência, que passou algumas semanas na Europa à procura de um nome para o cargo, foi a forma como tratou o antecessor, Paulo Bassul. Desde o final da Copa América, em setembro do ano passado, já estava claro que Bassul não permaneceria no emprego. Só que como o próprio treinador afirmou à repórter Marta Teixeira, do DIÁRIO, a CBB pediu que ele não assinasse com qualquer equipe antes de uma definição da entidade. E o que ele ganhou foi um simples agradecimento pelos serviços prestados. Lamentável!

Quanto à Hortência, que como cartola está longe de repetir o brilhantismo da época em que era a Rainha do basquete, lamenta-se apenas sua tentativa de tratar a todos como verdadeiros bobos da corte, ao tentar desmentir sua entrevista ao repórter David Abramvezt, também do DIÁRIO, quando disse que o time não será convocado pelo técnico e sim por ela. Ao treinador, garantiu Hortência, caberá só treinar a equipe. Será que o desconhecido Colinas sabe onde está se metendo?

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Um caso de amor mal resolvido


Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 26 de fevereiro do Diário de S. Paulo

Nos últimos anos, a relação entre Jade Barbosa e a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) tem sido marcada por troca de acusações e muitas polêmicas. Desde o episódio em que o pai da ginasta acusou os médicos da entidade de não tratarem corretamente uma gravíssima contusão no punho direito de Jade, ocorrida durante sua preparação para as Olimpíadas de Pequim-08, o clima com a CBG sempre foi tenso. Nem de longe lembra a lua de mel que a atleta vivia com os dirigentes na época do Pan-Americano do Rio-07, quando ela foi uma das estrelas da competição, ao conquistar as medalha de ouro no salto, bronze no solo e prata por equipe.

Após um longo tempo fora de combate, Jade retornou às competições no final do ano passado, durante o Brasileiro por equipes, quando garantiu o título no solo. Pronto, estava aberto o caminho para o seu retorno à seleção brasileira permanente, correto? De forma alguma. Ao divulgar a relação dos convocados para a disputa da Copa do Mundo, a CBG não incluiu o nome de Jade Barbosa na lista. E o motivo é mais uma vez polêmico.

Oficialmente, a Confederação não se manifesta, mas existe um conflito entre os patrocinadores da entidade e da ginasta, que são dois bancos distintos. Enquanto o pai da atleta, César Barbosa, não se entende com a direção da CBG, resta à ginasta aguardar. Considerada uma das maiores revelações da ginástica artística brasileira, Jade está pronta para competir. Pena que os cartolas não estejam permitindo.

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Magnano garante seu trio de ouro

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 19 de fevereiro do Diário de S. Paulo

Um mês é um prazo muito curto para se avaliar o trabalho de qualquer pessoa. Mas no caso de Rubén Magnano, seus primeiros 30 dias à frente da seleção brasileira masculina de basquete já estão marcados por um feito considerável: neste período, o argentino garantiu que o time entrará com sua força máxima no Mundial da Turquia, em agosto. Ao assegurar logo de cara as presenças das feras brasileiras da NBA na competição — o armador Leandrinho e os pivôs Nenê e Anderson Varejão — , Magnano conseguiu algo que seus antecessores sempre tiveram dificuldade em concretizar.

Não que Lula Ferreira e Moncho Monsalve tivessem sido sabotados. Mas, seja por estarem contundidos, seja por má vontade, desde que foram para a NBA, poucas vezes Nenê, Leandrinho e Varejão estiveram juntos na seleção brasileira. A última delas aconteceu no já distante Pré-Olímpico das Américas de 2003, em San Juan (Porto Rico).

Se o prestígio de campeão olímpico de Magnano teve influência direta na decisão dos três craques da NBA, ninguém pode afirmar. Só que é bom os cartolas da CBB não baterem tanto o bumbo por isso. Dos três, quem realmente anda comendo a bola é Nenê, do Denver, que livre de problemas físicos, vem cumprindo uma temporada exuberante — é o terceiro melhor da liga em aproveitamento de arremessos (59,2%). Leandrinho, do Phoenix, recupera-se de uma cirurgia no pulso direito, enquanto Varejão virou um reserva de luxo no Cleveland. Ainda é muito cedo para saber como o trio de ouro de Magnano estará no Mundial.

Foto:Nenê Hilário, em ação pelo Denver Nuggets
Crédito: NBA


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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Tênis do Brasil volta a brilhar

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 12 de fevereiro do Diário de S. Paulo



Para quem se acostumou com as glórias conquistadas por Gustavo Kuerten ao longo de sua brilhante carreira, como os três títulos de Roland Garros (1997/2000/01) e o Masters de 2000, o feito obtido pelo paulista Thomaz Bellucci no último domingo, ao faturar o ATP de Santiago, pode parecer pouca coisa. Mas a vitória em quadras chilenas teve uma grande importância tanto para a promissora carreira de Bellucci como para o tênis brasileiro. Afinal, contar com um jogador ranqueado entre os 30 melhores do mundo é algo que precisa sempre ser exaltado
.

O 28º lugar alcançado por Bellucci no ranking mundial o transformou no quarto melhor brasileiro na história da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais). À frente do garoto nascido há 22 anos em Tietê, interior de São Paulo, estão Guga, Thomaz Koch e Fernando Meligeni. Além disso, o título em Santiago foi o 37º do Brasil em torneios de primeira linha do circuito profissional, de acordo com levantamento feito pelo jornalista José Nilton Dalcin, diretor do site “Tenisbrasil”. Foram 20 conquistas de Guga, sete de Mattar, três de Meligeni, duas de Bellucci, Koch e Jaime Oncins, enquanto Ricardo Mello venceu um ATP.

Engana-se, porém, quem imaginar que as esperanças para o tênis brasuca se concentram somente nas mãos de Bellucci. Uma prova disso foi o recém-conquistado título da chave juvenil do Aberto da Austrália pelo garoto alagoano Tiago Fernandes — cuja equipe de treinamento é coordenada por Larri Passos, ex-técnico de Guga. O futuro, pelo visto, é bem promissor.

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Foto: Bellucci treina na Costa do Sauípe, durante o Aberto do Brasil
Crédito: Divulgação

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Brasucas abaixo de zero

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 5 de fevereiro do Diário de S. Paulo


Em 1993, chegou às telas uma comédia, estrelada pelo ator John Candy (que morreu um ano depois), chamada “Jamaica Abaixo de Zero” (foto). O filme conta a história real de quatro jamaicanos que decidem formar uma equipe de bobsled para disputar os Jogos Olímpicos de Inverno em Calgary, em 1988, tendo Candy no papel do treinador. Obviamente eles voltaram para casa sem qualquer medalha, mas até que fizeram bonito nos Jogos e ganharam a simpatia da torcida.

Daqui a uma semana, novamente o Canadá receberá uma edição das Olimpíadas de Inverno, desta vez na cidade de Vancouver. Mas o motivo que me levou a recordar das hilárias aventuras jamaicanas na neve foi um comunicado do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), listando o nome dos cinco atletas brasileiros que disputarão os Jogos. É impossível não fazer um paralelo entre a epopeia da turma do bobsled da Jamaica com os brasucas.

Nada contra o direito de qualquer um em participar das Olimpíadas, sejam elas de Verão (os Jogos Olímpicos tradicionais) ou de Inverno. Duro mesmo é constatar que será investido um dinheiro bastante razoável para resultados pífios. Ou alguém aí acha que o Brasil tem tradição em esportes na neve?

Polêmica sem sentido

Simplesmente inacreditável que o COB tente impedir a publicação do livro da psicóloga Kátia Rubio, “Esporte, Educação e Valores Olímpicos”, alegando que os termos “olímpico” e “Olimpíada”, são de propriedade do COI. Podiam ter passado sem essa.

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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Basquete sob nova direção

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 29 de janeiro do Diário de S. Paulo


Desde o último dia 22, o basquete masculino brasileiro está sob nova direção. E tudo indica que passará a trilhar um caminho menos sofrido a partir de agora. Se a primeira impressão é a que fica, o argentino Rubén Magnano, escolhido para comandar a seleção até as Olimpíadas de Londres-2012, deixou a melhor imagem possível. Afinal, não é todo dia que se pode ter no banco de reservas um técnico com um título olímpico e um vice-campeonato mundial no currículo, além de ser o responsável pela formação de boa parte da vencedora geração argentina.

Mas é bom ninguém se enganar: não será uma transição tranquila. A chegada de Magnano representará a troca do letárgico estilo mostrado pelos treinadores brasileiros nos últimos anos por algo mais intenso e participativo. E, principalmente, com muita disciplina. O argentino é conhecido por não abrir mão de um comando forte em suas equipes, chegando ao ponto de proibir que seus atletas usem telefones celulares durante as refeições.

A preocupação em acabar com a indisciplina na seleção brasileira já existia sob o comando do espanhol Moncho Monsalve, também adepto da linha-dura. Se por um lado é improvável que se repitam episódios como o vexame protagonizado pela armador Nezinho no Pré-Olimpico de Las Vegas-07 — que então se recusou a entrar em quadra num jogo —, resta a dúvida sobre como as estrelas que atuam na NBA irão reagir diante de um comandante tão rigoroso. Se ganhar a confiança de Nenê, Varejão e Leandrinho, Magnano está feito.

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Um namoro tentador e perigoso

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 22 de janeiro do Diário de S. Paulo

Esporte olímpico no Brasil, com raríssimas exceções, é sinônimo de amadorismo. Comparado ao universo do futebol, acostumado às cifras milionárias, chega a ser covardia a diferença. Por isso, não surpreende que o nadador Cesar Cielo tenha ficado tentado com a proposta para trocar o Pinheiros, clube que defende desde 2003, pelo Corinthians. No embalo do centenário, o Timão enxergou no campeão mundial e olímpico dos 50m um ótimo instrumento de divulgação do clube e ofereceu um salário de R$ 60 mil, simplesmente o dobro do que ele recebe no Pinheiros. E Cielo ainda estaria recebendo convites de clubes grandes do Rio.

O namoro dos times de futebol com estrelas de outros esportes não é uma novidade, é bom que se diga. Assim como o resultado deste relacionamento não costuma ter um final feliz. Há pouco mais de dez anos, o Vasco da Gama montou uma verdadeira constelação de estrelas, nas mais variadas modalidades.

Envergavam a camisa cruzmaltina à época astros como Gustavo Borges (natação), Robert Scheidt (iatismo), Fernanda Venturini (vôlei), Janeth (basquete), Adriana Behar e Shelda (vôlei de praia). O sonho megalomaníaco do então presidente Eurico Miranda era que o Vasco conquistasse mais medalhas do que muitos países. Só que tão logo as Olimpíadas de Sydney-00 terminaram, o clube teve problemas com seu patrocinador (Bank of America) e os investimentos nos esportes olímpicos foram retirados, deixando os atletas com uma mão na frente e outra atrás. É bom Cielo ficar de olho aberto.

Foto: Adriana Behar e Shelda são homenageadas por Eurico Miranda, nos tempos áureos em que o Vasco patrocinava várias estrelças do esporte olímpico brasileiro. Mal sabiam eles que mais tarde ficariam na saudade.
Crédito: divulgação


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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Novelinha sem graça e cansativa

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 15 de janeiro do Diário de S. Paulo

Sinceramente, já cansou a minha paciência o interminável impasse que se transformou a definição do nome do técnico da seleção feminina de basquete do Brasil. Até parece que os dirigentes da CBB fizeram algum curso de dramaturgia por correspondência e criaram um enredo longo e enfadonho. Na verdade, o processo de fritura de Paulo Bassul, que até o ano passado era o comandante da equipe, continua em andamento, e pelo andar da carruagem não dá sinais de que terminará tão cedo.

O que mais irrita em toda esta indefinição é a falta de um posicionamento mais firme da Confederação, através da diretora de basquete feminino, Hortência Marcari, e do próprio presidente da entidade, o sempre silencioso Carlos Nunes. No popular, a CBB está em cima do muro, abrindo espaço para que a ala Iziane Marques, que não suporta Bassul, acabe definindo o nome do novo treinador da seleção.

Para quem não se lembra, Bassul e Iziane tiveram um sério desentendimento no Pré-Olímpico de Madri, em 2008, quando a jogadora se recusou a entrar em quadra no jogo contra a Bielo-Rússia e foi cortada. No ano passado, ela foi convocada por Bassul para a Copa América, mas não atendeu o chamado. Em recente entrevista ao DIÁRIO, Iziane disse que se Bassul for dispensado, ela aceita voltar à seleção. É inacreditável que uma jogadora dê uma declaração como esta. É bom lembrar ainda que este ano o Brasil disputará o Mundial da República Tcheca. As perspectivas não são muito animadoras.

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Foto: Paulo Bassul conversa com Iziane, durante o Pré-Olímpico de Madri de 2008
Crédito: reprodução de TV

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