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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Novos tempos do esporte brasileiro fazem
os cartolas perderem a compostura

Magic Paula tem história no esporte brasileiro. Já outros...
Em outubro de 2010, o esporte olímpico brasileiro assistiu a uma espécie de ruptura no desgastado modelo de arrecadação de (parcos) recursos para a preparação de suas equipes e descobrimento de novos talentos. Num projeto inédito, a Petrobras decidiu investir R$ 265 milhões até 2014, atingindo a área de esporte de alto rendimento, social e memória esportiva. 

Os projetos de alto rendimento, que englobarão cinco modalidades (boxe, esgrima, remo, taekwondo e levantamento de peso) ficarão sob responsabilidade do Instituto Passe de Mágica, coordenado por Magic Paula. Já os projetos sociais estarão a cargo de Ana Moser, ex-capitã da seleção brasileira feminina de vôlei, vice-campeã mundial e medalhista olímpica.

A grande sacada deste projeto, além de ter a gerência de duas lendas do esporte do Brasil, é que o dinheiro da Petrobras não passará pelas mãos do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que desde o surgimento da lei dos recursos das loterias Agnelo/Piva, se transformou no grande mecenas do esporte brasileiro, gerando muitos críticas pelos critérios estabelecidos na distribuição destas verbas.

Só que este novo caminho parece que não anda agradando muita gente. Neste sábado, o presidente da Confederação Brasileria de Tênis (CBT), Jorge Lacerda, começou a disparar no Twitter críticas ao projeto da Petrobras e também à Paula e Ana Moser. "Como que uma estatal com a força da Petrobras pode passar uma verba de um esporte por um Instituto particular e não pela Confederação?", disse Lacerda, comentando reportagem da Folha de S. Paulo deste sábado, que tratava dos problemas de distribuição de verba e apoio do COB entre lutadores integrantes da seleção brasileira de taekwondo.

Ana Moser também foi alvo de criticas
Foi então que o cartola perdeu a mão nos pitacos. "É o Instituto Passe de Magica (que recebe a verba da Petrobras). Isso mesmo da sra. Magic Paula. Ela tem um grande conhecimento de Taekwondo. Brincadeira de muito mal gosto", escreveu, para completar em seguida. 

"A Paula como jogadora sem cometarios, foi otima. Mas como dirigente por onde passou não fez nada, pior fez muita besteira. Lembram no ME?", disparou Lacerda. Ele puxava pela memória o episódio em que o então ministro do esporte Agnelo Queiroz foi ao Pan-Americano de Santo Domingo, acompanhado de Paula, então secretária nacional de alto rendimento, com despesas pagas pelo COB. Quando soube do ocorrido, Paula devolveu os valores imediatamente aos cofres públicos e pediu demissão do cargo. Ao contrário de Agnelo.

Lacerda ainda criticou a presença de Ana Moser no projeto. "Pior de tudo que tem também um instituto de uma ex-jogadora de vôlei que tá na mesma situação dentro da Petrobras. Uma vergonha a atitude da PETROBRAS. Tem que apoiar as entidades oficiais. Como diriam "cada macaco no seu galho". O Ministério tá apoiando esta situação? Fica a pergunta."

 O que se extrai de verborragia do presidente da CBT - que ainda usou o Twitter para questionar as críticas deste blogueiro feitas na mesma rede social, perguntando se pertenço a algum instituto ou ONG - é que não passa de uma grande e notória choradeira. 

O problema é que bastou surgir algo ou alguém que quebre o círculo vicioso para que todo mundo caia de pau. Pior ainda foi Lacerda levantar suspeitas a respeito da postura ética e também da competência demonstradas por Paula e Ana Moser em suas carreiras como gestoras esportivas.


Por que ao invés de ficar chorando as mágoas e reclamando dos outros, Jorge Lacerda não trabalha para transformar o tênis em um esporte mais popular e não restrito ainda a uma minoria? 


E uma outra pergunta: quem fez mais pelo esporte do Brasil, Magic Paula e Ana Moser ou Jorge Lacerda?

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A história de Eder Jofre, através das
belas palavras de Henrique Matteucci

Eloy Sanchez e Eder Jofre, durante a luta histórica
Logo após começar a trabalhar na revista Placar, em 1986, fui escalado para fazer uma pauta com um escritor que havio lançado a biografia do massagista Mario Américo, personagem marcante na história da seleção brasileira. Ao chegar na casa do escritor, o jornalista Henrique Matteucci, num sobrado simples que já não existe mais na rua Turiassu, percebi logo após alguns minutos de conversa que haveria muito mais a aproveitar do que aquela simples pauta.

Com seu jeitão cativante de falar, daquele que conquista rapidamente o interlocutor, Matteucci falou sobre a obra recém-lançada e, diante da curiosidade quase irritante do foca que o entrevistava, começou a mostrar seus outros livros. Entre eles "O Galo de Ouro - A história de Eder Jofre", biografia que ele havia lançado em 1979 sobre o primeiro pugilista brasileiro campeão mundial de boxe pelos galos da AMB (Associação Mundial de Boxe), uma categoria séria e não como uma das inúmeras entidades fajutas que existem hoje em dia.

Após terminar a entrevista, antes de me despedir, Matteucci carinhosamente me presenteou com dois livros: o do Mario Américo e "O Galo de Ouro". Comecei a ler o livro ainda no taxi, quando voltava à redação, e duas noites depois já o tinha lido inteiro. Um livro excepcional, um registro preciso de um período marcante do esporte brasielrio, descrito de forma precisa e até meio poética por Matteucci.

Anos atrás, soube num obituário do Diário de S. Paulo que Henrique Matteucci havia falecido, talvez sem toda a sua importância devidamente reconhecida. Mas sua contribuição para o esporte brasileiro, ao retratar de forma tão bonita a história de Eder Jofre, foi eterna. E neste dia 18 de novembro, quando se comemoram os 50 anos da vitória de Eder Jofre sobre o mexicano Eloy Sanhez, dois agradecimentos são necessários: Valeu, Eder! Valeu, Matteucci!

Abaixo, um trecho memorável do "Galo de Ouro":

"...Os últimos instantes da luta foram dramáticos e inesquecíveis: eram dois pequenos gladiadores a troca junto às cordas e, torcendo por eles, com os ouvidos colados ao rádio, milhões de brasileiros e mexicanos a sofrer e vibrar pelos eu heroi. Eder dominou desde os primeiros instantes; Eloy, tenaz e obstinado, tentou superar com uma coragem fora dos limites humanos a classe superior do rival. Em meio ao sexto assalto, julgando ter abalado Eder com um direto, Sanchez levou-o até o extremo do ringue e o bombardeou com uma bem dirigida sequência de esquerdas e direitas no corpo. Havia dez mil mexicanos e quatrocentos brasileiros no estádio. Os primeiros puseram-se de pé, a gritar furiosamente, e o ginásio rugiu e tremeu como se tivesse explodido um trovão em suas entranhas. Foi nesse instante que Eder Jofre inclinou ligeiramente o corpo e desferiu um gancho de esquerda no fígado. O gemido de Eloy coincidiu com um segundo golpe, um direto de direita que lhe pegou o queixou e fez sua cabeça dobrar para trás. O mexicano girou e caiu de lado sobre um braço, que ficou torcido como se estivesse quebrado. Os dez mil mexicanos sentaram-se, surpresos, e os quatrocentos brasiuleiros ergueram-se em delírio, ao mesmo tempo que o árbitro Calaham, indicando o corner neutro a Eder, iniciava a contagem:..."

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Brasil Olímpico (16)

Da Folha de S. Paulo - edição de 19/10/2010

Rota alternativa

Petrobras anuncia investimento de R$ 20 milhões ao ano em 5 modalidades, mas dinheiro passará longe do COB e será gerido pela ex-jogadora Paula
 
MARIANA BASTOS E RODRIGO MATTOS
DE SÃO PAULO

O governo federal excluiu o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) de um dos maiores projetos de investimento público na transformação do Brasil em potência olímpica.

Com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Petrobras anunciou a aplicação de cerca de R$ 20 milhões anuais (um total de R$ 100 milhões) para cinco modalidades: levantamento de peso, esgrima, boxe, taekwondo e remo.

É um investimento por meio da lei de incentivo ao esporte. No total, o projeto atinge R$ 265 milhões, incluindo o esporte educacional. É o maior volume de verbas já usado pela lei.

Mas esses recursos passarão longe dos cofres do COB.

Será a ONG Passe de Mágica, da ex-jogadora de basquete Paula, crítica à gestão do comitê, que os administrará. O dinheiro será dado às confederações, com destinação certa aos atletas.

"Esses recursos [públicos] muitas vezes não chegam no atleta. Agora, o foco é o atleta", explicou Paula.

O dinheiro será usado para dar bolsas-auxílio a 110 esportistas, além de plano médico, equipamentos e uma equipe de apoio de 89 profissionais. Cada confederação receberá um valor diferente.

Da Lei Piva, que renderá em torno de R$ 120 milhões neste ano, as cinco modalidades costumam fica com valor total de cerca de R$ 6 milhões, por volta de 30% do que a estatal destinará.

O COB fica com a maior fatia da Lei Piva. E também participa de decisões sobre investimento direto do ministério, Bolsa Atleta e projetos olímpicos pela lei de incentivo. Na prática, isso o tornava, até agora, mais poderoso do que o ministério no controle do esporte olímpico.

Desta vez, o comitê foi excluído. A Petrobras ouviu o Ministério do Esporte, atletas como Sócrates, Ana Moser e até a ESPN Brasil, emissora crítica ao comitê.

É a segunda atitude do ministério que mostra maior desejo de controle sobre o esporte olímpico. Há um mês, foi feita medida provisória que deu ao governo o direito de cobrar resultados do COB.

"Foi uma grata coincidência. Nosso projeto está ligado à medida provisória que acabou de ser baixada porque você acaba tendo uma gestão técnica", declarou Claudio Thompson, gerente de patrocínio esportivo da Petrobras.

"Quantas vezes atletas vieram me perguntar por que o financiamento chega ao esporte, mas não chega à ponta final: o atleta", discursou ontem o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr.

Para o secretário-executivo do ministério, Ricardo Leyser, a gestão do esporte olímpico tem que ser descentralizada. O COB prega uma política única. Mas a pasta nega conflito com o comitê por conta do novo projeto.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Yes, nós temos treinador!

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 12 de março do Diário de S. Paulo

Parece que virou moda, quase um hit deste fim de verão escaldante em terras brasileiras. Agora, qualquer equipe olímpica que se preze tem que contar com um treinador estrangeiro comandando sua comissão técnica. Só neste início de 2010, três técnicos gringos foram contratados: no basquete, o consagrado argentino Rúben Magnano dirigirá a seleção masculina e o desconhecido espanhol Carlos Colinas será o novo comandante da equipe feminina. Já o polo aquático, bem menos badalado, já acertou a chegada do croata Goran Sablic para o time masculino e promete fechar com um holandês para chefiar a seleção feminina.

Longe de querer imitar Policarpo Quaresma e defender a mão de obra nacional com unhas e dentes, acho que a presença dos treinadores estrangeiros traz enormes benefícios ao esporte brasileiro. Aliás, nem se trata de uma novidade. Várias modalidades há anos bebem na fonte dos técnicos gringos, como o atletismo, o boxe, o handebol e a ginástica artística feminina, que por sinal evoluiu indiscutivelmente sob o comando do ucraniano Oleg Ostapenko até 2008.

Mas algo me incomoda nesta frenética abertura de mercado aos técnicos estrangeiros. Antes de fazer o investimento em trazer treinadores do exterior, os cartolas brasileiros deveriam primeiro se preocupar em preparar técnicos para trabalhar com a formação de atletas e que conheçam profundamente os problemas do esporte brasileiro. Do contrário, a contratação dos gringos será apenas uma modinha passageira.

Foto: Rubén Magnano, um dos técnicos estrangeiros que irão trabalhar no Brasil em 2010
Crédito: Gaspar Nóbrega/CBB


A coluna Diário Esportivo, assinada por este blogueiro, é publicada às sextas-feiras no Diário de S. Paulo

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Reencontro com 12 anos de atraso

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 16 de outubro do Diário de S. Paulo

Mike Tyson e Evander Holyfield foram dois dos maiores boxeadores de todos os tempos. No final dos anos 90, eles protagonizaram dois combates históricos pelo título mundial dos pesos pesados, sendo que em um deles, ocorreu a cena mais bizarra que o esporte já presenciou, a mordida de Tyson na orelha de Holyfield, em 1997.

E não é que 12 anos depois eles estarão novamente um diante do outro? Hoje, no programa da apresentadora norte-americana Oprah Winfrey, líder de audiência nos EUA, Tyson e Holyfield estarão juntos, ao vivo. Será o primeiro encontro dos dois desde o lamentável episódio.

Carreira no lixo
Difícil prever o que pode acontecer neste programa. Na época da famosa mordida, o ódio entre os lutadores era tanto que sairiam no tapa caso se esbarrassem na rua. Hoje, diante de milhões de espectadores, certamente trocarão amabilidades. Mais de uma década depois, o tempo certamente terá curado algumas feridas. Só não serviu para acalmar a alma conturbada de Tyson.

Dentro do ringue, poucos conseguiram mostrar a mesma força demolidora de Mike Tyson, uma verdadeira máquina de nocautear oponentes. Mas longe do esporte, sua vida foi sempre um drama permanente, a ponto de ter ficado três anos preso por uma acusação de estupro. Gordo, falido e destroçado emocionalmente — sua filha de quatro anos, foi encontrada morta em casa este ano —, Tyson tenta reconstruir sua vida. Se irá conseguir, é outra história.

A coluna Diário Esportivo, assinada por este blogueiro, é publicada às sextas-feiras no Diário de S. Paulo

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Fiascos em Mundiais preocupam

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 11 de setembro do Diário de S. Paulo

Os fatos não mentem: a recente leva de Campeonatos Mundiais, nas mais diversas modalidades olímpicas, trouxe mais decepções do que alegrias para o esporte brasileiro. Na prática, os únicos motivos de festa ocorreram no Mundial de Natação em Roma, graças ao impressionante desempenho de Cesar Cielo e suas duas medalhas de ouro (50 e 100m livre), além da prata de Felipe França nos 50m peito e o bronze de Poliana Okimoto, na prova dos cinco quilômetros de maratona aquática.

Em compensação, sobraram frustrações nos Mundiais de Atletismo (Berlim), Judô (Roterdã), Boxe (Milão) e Ginástica Rítmica (Mie, no Japão). Nenhuma medalha conquistada e no máximo, como prêmio de consolação, presença em algumas finais.

Como já disse na coluna do último dia 28 de agosto, ninguém quer iniciar uma caça às bruxas e colocar atletas diante de um pelotão de fuzilamento imaginário só por não terem obtido os resultados sonhados. Mas não se pode deixar de cobrar quem pode brilhar.

Além dos fiascos no atletismo, o judô brasileiro se juntou ao grupo das decepções, com as derrotas dos favoritos Tiago Camilo, Leandro Guilheiro e Luciano Correa. Do boxe e da ginástica rítmica não havia qualquer expectativa, mas ambos também passaram em branco. O que fica de tudo isso é que mesmo amparado com o dinheiro das loterias, que vem sendo despejado nas confederações desde 2001, o esporte brasileiro ainda é refém de suas raras estrelas para brilhar internacionalmente.

Foto: Divulgação/CBDA

A coluna Diário Esportivo, assinada por este blogueiro, é publicada às sextas-feiras no Diário de S. Paulo

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Moças já podem dar seus socos

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 14 de agosto do Diário de S. Paulo

Confesso que a inclusão do boxe feminino no programa olímpico a partir dos Jogos de Londres, em 2012, aprovada ontem pelo COI, me trouxe sentimentos ambíguos. Em tempos de igualdade dos sexos, seria até uma heresia de minha parte negar que as mulheres tivessem ao menos o direito de pleitear dividir os ringues olímpicos com os marmanjos, que já têm esta honra desde 1904, nos bagunçados Jogos de Saint-Louis (EUA). Mas particularmente, ainda não consigo me acostumar em ver duas garotas se estapeando sobre o quadrilátero de cordas e travando um diálogo de punhos, expressão popularizada pelo jornalista e presidente da Federação Paulista de Boxe, Newton Campos.

Preconceito à vista
Independentemente de se gostar ou não da decisão do COI, a única certeza é que haverá muita polêmica até os Jogos de Londres. Normalmente, o boxe feminino é visto sob uma ótica negativa. E até o cinema contribuí para isso, como no premiado “Menina de ouro”, de Clint Eastwood, cujo final trágico da protagonista Maggie Fitzgerald (interpretada por Hillary Swank) certamente não serve de incentivo para aumentar o número de mulheres boxeadoras.
O que veremos daqui para frente será uma verdadeira guerra, onde não faltará quem queira ridicularizar ou questionar a presença do boxe feminino nas Olimpíadas. Mais importante do que estas picuinhas é dar tranquilidade para as garotas brigarem (literalmente) pela medalha de ouro.

A coluna Diário Esportivo, assinada por este blogueiro, é publicada às sextas-feiras no Diário de S. Paulo

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Pequim-08: O preço da vitória chinesa

Muita gente ainda se espanta com a quantidade de medalhas conquistadas pelos atletas chineses nos Jogos Olímpicos de Pequim, a ponto de terem deixado para trás uma superpotência esportiva como os Estados Unidos.

As 51 medalhas de ouro da China, contudo, não sairam de graça.

O governo chinês anunciou nesta terça-feira que cada campeão olímpico receberá US$ 50 mil por seu feito (cerca de R$ 90.000). Com isso, o total pago pelas medalhas de ouro chinesas chega a US$ 2.550.000 (quase R$ 46 milhões).
Convenhamos, não é pouca coisa...


Foto: o boxeador Zhang Xiaping comemorando a última medalha de ouro a China em Pequim, na categoria meio-pesado
Crédito: Bocog

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Pequim-08: Brasil, o país do futebol. E do quimono e da vela...

Com as medalhas obtidas nesta segunda-feira por Leandro Guilheiro (foto) e Ketleyn Quadros, o judô alcançou o iatismo como o esporte que mais medalhas deu ao Brasil em Jogos Olímpicos.

As duas modalidades somam atpe agora 14 medalhas, mas o iatismo leva vantagem em número de medalhas de ouro (6 a 2). O atletismo ainda leva vantagem pelo fato de ter uma medalha de ouro a mais (3 a 2).

Confira as medalhas divididas por modalidade em Olimpíadas:

Iatismo: 6 ouro/ 2 prata/ 6 bronze = 14
Atletismo: 3 ouro/ 3 prata/ 7 bronze = 13
Judô: 2 ouro/ 3 prata/ 7 bronze = 14
Vôlei de praia: 2 ouro/ 4 prata/ 1 bronze = 7
Vôlei: 2 ouro/ 1 prata/ 2 bronze = 5
Tiro esportivo: 1 ouro/ 1 prata/ 1 bronze = 3
Hipismo: 1 ouro/ 2 bronze = 3
Natação: 3 prata/ 6 bronze = 9
Futebol: 3 prata/ 1 bronze = 4
Basquete: 1 prata/ 4 bronze = 5
Boxe: 1 bronze = 1

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Eliminação de Pedro Lima no Pré-Olímpico de boxe mostra a "força" do Pan

Ao ser eliminado no Pré-Olímpico de boxe da Guatemala neste domingo, o lutador brasileiro Pedro Lima (foto), da categoria 69 kg, comprovou o "alto" nível técnico dos Jogos Pan-Americanos.

Para refrescar a memória dos eternos ufanistas de plantão, Pedro Lima foi o único brasileiro a deixar a competição realizada no Rio de Janeiro no ano passado com a medalha de ouro. Justamente por isso, era o lutador no qual os dirigentes da Confederação Brasileira de Boxe depositavam maior esperança no torneio eliminatório da Guatemala.


Mas em uma competição que não conta com a presença de boxeadores cubanos ou americanos, Lima conseguiu a proeza de ser derrotado por Taurino Jhonson, das Bahamas, nas quartas-de-final.

E tem gente que continua batendo bumbo pela chuva de medalhas brasileiras no Pan!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Diário Esportivo: a coluna desta sexta do Diário de S. Paulo já está no ar


Luta olímpica tem roteiro digno de comédia pastelão

Perdoem-me pelo chavão, mas a atual situação da luta olímpica brasileira seria cômica, se não fosse trágica. O drama de dois lutadores brazucas que ganharam medalhas no Pan-Americano da categoria, mês passado, nos EUA, e só depois souberam que não estavam classificados para as Olimpíadas de Pequim, mostra a que ponto chega a desorganização, não somente no Brasil, mas na modalidade como um todo.

Para quem não leu a matéria publicada pelo DIÁRIO na edição da última terça-feira, os lutadores Antoine Jaoude, na luta livre, e Rodrigo Artilheiro, na greco-romana, conquistaram medalhas no Pan-Americano de Colorado Springs (EUA), realizado em fevereiro. Ambos já contavam com a vaga para as Olimpíadas, baseados na palavra do vice-presidente da Federação Internacional de Lutas Associadas (Fila), durante o Pan-Americano do Rio.

Segundo o dirigente, não haveria a necessidade de participar do Mundial da modalidade, que aconteceu em Baku (Azerbaijão) em 2007, para ratificar a vaga olímpica. O problema é que a própria Fila virou a mesa, mudou as regras e não avisou os dirigentes brasileiros. O resultado de toda esta lambança é a óbvia frustração de Jaoude e Artilheiro, que por enquanto estão fora dos Jogos Olímpicos.

Economia burra
Agora que o estrago foi feito, o presidente da Confederação Brasileira de Lutas Associadas (CBLA), Pedro Gama Filho, bate no peito e diz que cobrará mudanças da Fila, argumentando que outros países das Américas também foram prejudicados. Atitudes valentes à parte, pior é saber o real motivo do Brasil não ter participado do Mundial em Baku: como os custos seriam altos, a CBLA preferiu investir toda verba na preparação para o Pan do Rio e abriu mão de uma oportunidade de intercâmbio internacional. O preço a ser pago por esta economia burra será bem salgado.

Vaguinha salvadora
Graças ao meio-pesado Washington Silva o desempenho brasileiro no Pré-Olímpico de boxe em Trinidad e Tobago não foi um fiasco absoluto. A equipe tinha 11 lutadores na disputa por vagas, mas somente Washington carimbou o passaporte. Com isso, a última chance de classificação será no Pré-Olímpico da Guatemala, de 23 a 30 de abril. Em Atenas-04, o boxe brasileiro foi representado por cinco atletas.


Show de otimismo
Definitivamente o chefe de missão da delegação brasileira em Pequim, Marcus Vinícius Freire, pode ser chamado de tudo, menos de pessimista. O dirigente acredita que o desempenho do Brasil nas Olimpíadas deste ano irá superar o de Atenas-04, quando o país ficou em 16º lugar no quadro de medalhas. “O objetivo é ficar entre os 10 primeiros”, garantiu Freire.

Foto: Rodrigo Artilheiro, de azul, enfrentando o venezuelano Rafael Barreno, pelos Jogos PAn-Americanos de 2007

Crédito: Washington Alves/COB

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Boxe: Brasileiro dá uma de Mr. Bean e fatura título internacional

Tem coisas que só acontecem no boxe brasileiro. No último dia 22 de fevereiro, o peso cruzador Pedro Otas faurou o título latino-americano da categoria, derrotando o argentino Hector Ávila, no Guarujá.

Só que a forma pela qual o brasileiro garantiu a vitória foi esdrúxula: no 9º assalto, o brasileiro caiu por cima de seu rival, que sofreu uma luxação no braço e precisou abandonar o combate. Foi a sorte de Otas, que a partir do sexto round estava visivelmente sem fôlego e graças a uma tática digna do Mr. Bean, o mais famoso e ridículo trapalhão do cinema, saiu do ringue como vencedor.

Boxe: Evander Holyfield diz ter recebido proposta para nova luta contra Tyson

Tem gente que não sabe mesmo a horar de se aposentar. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o boxeador americano Evander Holyfield disse que recebeu de um agente do compatriota Mike Tyson uma proposta para a realização de uma nova luta entre os ex-campeões mundiais dos pesos pesados.

De acordo com Holyfield, o "maneger" de Tyson, Jeff Fenech, o procurou meses atrás para saber de seu interesse sobre uma nova luta, pois Tyson teria demonstrado interesse de enfrentá-lo. "Minha resposta foi: depende do que vocês me oferecerem. Se o preço for junto, provavelmente direi sim. Mesmo sabendo que receberei muitas críticas, se lutar mais uma vez com Mike Tyson", disse Holyfield.

Há pouco mais de 10 anos, em 1997, Holyfield teve parte de sua orelha arrancada por uma mordida de Tyson, no segundo combate entre os dois. Mesmo tendo prometido que jamais o enfrentaria novamente, Holyfield parece ter amolecido o coração. "Teria acabado como ele se não tivesse tido uma mãe forte e dura, que me deu toda a atenção e a segurança de que necessitei. Mike nunca a teve, por isso nutro compaixão por ele".

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Diário Esportivo: a coluna desta sexta do Diário de S. Paulo já está no ar


Superliga de vôlei tem overdose de decisões

No próximo domingo, Rexona-Ades e Osasco/Finasa tem jogo marcado. Mais precisamente às 9h35, no Ginásio do Maracanãzinho (RJ), as duas melhores equipes do vôlei feminino brasileiro estarão decidindo o 3º Torneio da Superliga 2007/08. Até aí, nenhuma novidade. Porém, os mais desavisados e que não acompanham o vôlei com tanta atenção talvez desconheçam que este mesmo duelo decidiu o 2º Torneio, no dia 29/1, e ocorreu em outras duas oportunidades na Superliga, no dia 26/1 e nesta última terça-feira. E só não foi realizado na final do 1º Torneio porque o Rexona foi eliminado antes.

Esta verdadeira overdose de decisões deve-se a uma mudança no regulamento feita na atual temporada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), com o objetivo de tornar a competição mais interessante para a TV e de trazer mais emoção ao torneio. Mas vamos falar sério: será que está dando certo mesmo?

Falta de motivação
Um dos pontos que mais me incomoda neste festival de decisões é o sentimento de certa inutilidade que ele me traz. Na prática, a equipe ganhadora de cada final ganha dois pontos, enquanto a perdedora recebe um na classificação geral (a que irá definir os oito finalistas). Só que esta seria a mesma pontuação destinada a cada equipe se a Superliga fosse ainda disputada no tradicional sistema turno-returno e playoff decisivo. Mas a pior parte foi guardada para a final, que será realizada em somente uma partida. Ou seja, aquele time que liderou o campeonato todo, atropelando os adversários um a um, pode ver todo o trabalho de uma temporada ir para a lata do lixo se por acaso fizer uma única partida ruim. Mais injusto, impossível.

Proibido criticar
Se é ruim em fazer regulamentos, a CBV também possuí um outro grave defeito: o autoritarismo. Há anos existe um item nos regulamentos da Superliga que proíbe jogadores, técnicos, dirigentes e outras pessoas ligadas diretamente à competição de fazerem comentários que a entidade classifique como “depreciativos”.

Capitão punido
E foi justamente por expressar seu descontentamento com a nova fórmula de disputa que o ponteiro Nalbert, do Minas, foi advertido no ano passado. E qual foi o grande pecado do capitão da equipe medalha de ouro em Atenas? “Eu discordo completamente do fato de a final ser realizada em um único jogo. O grande filé mignon vai durar muito pouco”.

Bom presságio
Os resultados obtidos pela equipe brasileira de boxe na Copa da Independência, na República Dominicana, onde levou três ouros (um deles sobre um cubano) trazem um clima de otimismo para a disputa do Pré-Olímpico de Trinidad e Tobago, a partir de 10 de março.

Crédito da foto: Alexandre Arruda/CBV - jogo Rexona x Osasco - 29/01/08

domingo, 18 de novembro de 2007

Boxe brasileiro deve muito a Éder Jofre


Esporte no qual poucos conseguiram brilhar, o boxe brasileiro tem em Éder Jofre talvez sua figura mais emblemática. Como uma espécie de desbravador, foi Éder quem abriu o caminho percorrido por Miguel de Oliveira, Acelino Popó de Freitas e, por que não dizer, Adilson Maguila Rodrigues.

Foi justamente com Éder Jofre que o Brasil ocupou pela primeira vez um lugar de destaque no mundo do boxe mundial. Justamente em um 18 de novembro de 1960, ele enfrentou o mexicano Eloy Sanchez em Los Angeles (foto acima).

Depois do brasileiro dominar os três primeiros assaltos, Sanchez resolveu tomar o controle da luta no quarto round. No assalto seguinte, porém, foi à lona. E no sexto round, Éder acertou um direto na boca do mexicano, nocauteando-o e ficando com o título mundial dos pesos galo.

sábado, 13 de outubro de 2007

Holyfield antes e depois; veja os vídeos

Dois momentos de Evander Holyfiled resgatados no YouTube: em plena forma, no primeiro de seus dois combates com Mike Tyson, em 9 de novembro de 1996. Nesta luta, realizada no MGM Grand, em Las Vegas (EUA), Holyfield conseguiu pela terceira vez o título mundial dos pesados (versão Associação Mundial de Boxe), com um nocaute técnico no 11º assalto.

No vídeo abaixo, os momentos finais da luta:




A segunda imagem é este divertido vídeo promocional da decisão deste sábado, entre Holyfield e Ibragimov. Enquanto o russo sua feito um condenado preparando-se para a luta, Holyfield curte cada momento de sua “aposentadoria”. Treinar pra que, né?

Evander Holyfield tenta nocautear o tempo

Dentro de mais algumas horas, o peso pesado americano Evander Holyfield tentará o nocaute mais difícil de sua carreira. Aos 44 anos, quatro vezes campeão mundial dos pesos pesados, Holyfield busca o quinto título diante do russo Sultan Ibragimov, 12 anos mais novo. O combate vale pelo cinturão da Organização Mundial de Boxe (OMB) e acontecerá em Moscou.

Nada tenho contra a pretensão de alguém desafiar o tempo – melhor ainda manter seus sonhos vivos independentemente da idade do que ficar vendo a vida passar sem nenhuma perspectiva. Só que no boxe esta brincadeira pode ser um pouco perigosa.

Holyfield foi um dos maiores pesos pesados da história. Não tinha a pegada de Mike Tyson, por exemplo, mas possuía uma técnica incrível. Por ter lutado muito tempo como peso cruzador, possuía uma agilidade que lhe dava enorme vantagem dentro do ringue.

George Foreman provou que um veterano pode muito bem ser campeão do mundo – ele reconquistou o cinturão com 45 anos. Mas o boxe não costuma perdoar a falta de reflexo ou de uma pegada menos poderosa.

Para os arquivos, eis o cartel de Holyfield: 52 lutas, sendo 42 vitórias (27 por nocaute), oito derrotas e dois empates.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Foreman em ação contra o brasileiro Luis Faustino: veja o vídeo

Para quem só conhece George Foreman das propagandas de seu grill elétrico, saiba que ele foi um baita lutador, o segundo maior de todos os tempos (sim, porque Muhammad Ali para mim é imbatível). E muito antes de quase trucidar Adilson Maguila Rodrigues, em 1990, Foreman teve um outro combate com um brasileiro.

O ano era 1971, Madison Square Garden, em Nova York. Luis Faustino Pires desafiou o futuro campeão mundial, que era uma máquina de distribuir socos. Dizem que um dos golpes quebrou o braço de Faustino. O resultado da luta você pode conferir no vídeo abaixo, em uma rara imagem (creio que da televisão alemã). Foreman está de calção vermelho e Faustino, de azul.



Foreman avisa: boxeadores americanos precisam fechar a boca e emagrecer

Na Cidade do México, onde participa de evento promocional de sua linha de grills elétricos, o americano George Foreman, ex-campeão mundial dos pesos pesados, comentou o motivo, para ele, que explica a perda da supremacia dos lutadores americanos na categoria mais badalada do boxe profissional.

“Nos EUA, os pugilistas ficaram gordos. Só voltaremos a recuperar o cinturão dos pesados, em qualquer categoria, quando eles recuperarem a fome, mas de vitórias”, disse Foreman, de 58 anos, que foi campeão em 1973 e 1993.



Se o simpático e rechonchudo ex-campeão mundial estava apenas aproveitando para fazer o seu comercial, não se sabe. Mas o ranking dos campeões das principais categorias demonstra que Foreman tem razão:

Associação Mundial de Boxe (AMB): Ruslan Chagaev (Uzbequistão)
Conselho Mundial de Boxe (CMB): Oleg Maskaev (Cazaquistão)
Federação Internacional de Boxe (FIB): Wladimir Klitschko (Ucrânia)
Organização Mundial de Boxe (OMB): Sultan Ibragimov (Rússia)

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