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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Da Cidade de Deus para Londres?

Rafaela Silva, que está na briga para ir às Olimpíadas do ano que vem
Dona do melhor resultado do judô brasileiro no Grand Prix de Dusseldorf (Ale), neste último sábado, a jovem carioca Rafaela Silva, campeã na categoria 57kg, foi revelada pelo Instituto Reação, fundado pelo medalhista olímpico Flavio Canto. Localizado na favela de Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, o Instituto Reação representou uma mudança radical na vida de Rafaela. Até os oito anos, ela era muito brigona e seu pai viu no judô uma forma da garota ocupar sue tempo livre.

Campeã mundial junior de 2008, já havia sido campeã da etapa de Madri da Copa do Mundo de 2009. Aos 18 anos, ocupa a 26ª posição no ranking mundial, sem computar o resultado da etapa deste sábado, quando bateu a italiana Giulia Quintavalle, campeã olímpica de Pequim/08, nas semifinais, e a japonesa Kaori Matsumoto, líder do ranking mundial e atual campeã do mundo, na decisão.


Sei não, tá com cara que a Cidade de Deus terá uma representante em Londres, hein?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Brasil Olímpico (18)

Do jornal O Estado de S. Paulo - edição de 13 de fevereiro de 2011

Potência olímpica? É tarde demais
Meta do COB para o Rio é levar o Brasil ao top 10 no quadro de medalhas. Mas não há tempo para formar campeões do zero

Valéria Zukeran



O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) tem buscado se informar com especialistas sobre o que fazer para tornar o Brasil uma potência olímpica até 2016. Na recente apresentação da mais tradicional equipe de atletismo do País, a BM&F, o diretor, Sérgio Coutinho Nogueira, contou que foi um dos procurados pela entidade. "Eles me perguntaram o que poderia ser feito captar talentos e a criar um campeão para 2016. Minha resposta foi: "É tarde demais". Basta pensar que a Maurren (Maggi) levou 13, 14 anos das primeiras competições até que chegasse ao ouro em Pequim (no salto em distância)."

Em setembro do ano passado, o COB divulgou sua meta para a Olimpíada do Rio: subir do atual 23.º lugar no quadro de medalhas, obtido em Pequim em 2008, para 10.º. É um objetivo ousado se considerado o fato de que o Brasil conquistou 15 medalhas na China (3 de ouro) contra 40 da França, que ficou em 10.º (7 de ouro). Nos bastidores esportivos há consenso de que um país costuma conquistar, em média, metade das medalhas de ouro nas modalidades em que se considera entre os favoritos. A conta do COB é que, dos atuais 8 ouros, o Brasil passe a lutar por 13 em 2016. Porém o plano pode dar errado se outros países progredirem mais.

O cruzamento de informações entre o quadro de medalhas e o programa olímpico de Pequim mostra que as principais conquistas das três maiores potências nos Jogos tiveram origem nas 10 modalidades que mais oferecem medalhas (veja abaixo). A China conquistou ouro em 8 dos 10 esportes mais "medalheiros", enquanto os Estados Unidos ficaram no mais alto do pódio em 7 e a Rússia em 5.

Não fica difícil concluir que, para um país se tornar potência olímpica, será necessário forte investimento nos esportes mais generosos na oferta de ouros. A China percebeu a relação, tanto que, no balanço dos Jogos de 2008, já anunciava o aumento dos investimentos em modalidades que proporcionam muitas medalhas - como, por exemplo, o ciclismo - com o objetivo de aumentar sua hegemonia.

No Brasil. Se tomarmos o exemplo dos campeões olímpicos nacionais, a constatação é de que a observação de Coutinho Nogueira extrapola os limites do atletismo. Em geral, a trajetória da iniciação de um talento até o ouro levou mais de uma década, casos de Robert Scheidt e Cesar Cielo, quando não duas, como com Maurren Maggi e Rogério Sampaio.

Nas confederações, os dirigentes são cautelosos na hora de opinar se é possível revelar e preparar um campeão olímpico em cinco anos. "Nunca podemos descartar a possibilidade do surgimento de um fora de série, mas sabemos que, pelo menos no caso do judô, a base da equipe que representará o Brasil em 2016 já se destaca em Mundiais das categorias de base e começa a disputar vagas nas seletivas para a seleção permanente olímpica principal", observa o coordenador técnico da Confederação Brasileira de Judô, Ney Wilson.

A natação usa estatísticas para fazer a projeção de seus campeões olímpicos em 2016 baseada em uma pesquisa organizada pelo supervisor Ricardo de Moura, que aponta os medalhistas em potencial. Boa parte já compete na categoria adulta.

Nem mesmo esportes no qual os talentos precisam nascer precocemente, como a ginástica, a perspectiva de um campeão em cinco anos é vista com otimismo porque, se é possível termos campeãs com 16 anos, foi por meio de crianças que competiam em média 8 anos antes.

Nas modalidades nas quais o Brasil não tem tradição, como a luta olímpica e o tiro (apesar de o esporte ter proporcionado a primeira medalha olímpica brasileira), isso é considerado impossível. Na luta, ainda há a esperança de captar talentos vindos de outras modalidades. "Talvez seja possível criar um campeão olímpico em cinco anos se ele tiver base de outro esporte de luta, principalmente o judô. Mas acredito que, hoje, 80% da nossa equipe olímpica de 2016 já esteja praticando luta", diz o superintendente da Confederação Brasileira de Lutas Associadas (CBLA), Roberto Leitão.

No tiro a tarefa é mais inglória. Esperanças olímpicas são obra do acaso, como o jovem Felipe Wu, prata nos Jogos Olímpicos da Juventude. Filho de chineses praticantes do tiro, o jovem foi iniciado cedo. "Mas isso é difícil de ocorrer no Brasil. Há preconceito em relação ao esporte. Muitos pais associam o tiro esportivo com violência, apesar de isso estar longe da realidade", garante o assessor da presidência da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo, Ronaldo Silva Freire.

A conclusão ao conversar com técnicos e dirigentes esportivos é preocupante: com exceção de algum talento excepcional, o investimento no esporte desde o anúncio do Brasil como sede olímpica servirá para 2020. A colheita do COB em 2016 será, fundamentalmente, resultado das sementes plantadas nas categorias de base entre 1996 e 2000.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Brasil Olímpico (17)

Da Folha de S. Paulo - edição de 21 de janeiro de 2011

São Caetano demite 720 atletas sem aviso

Prefeitura atribui o fim do incentivo a 24 modalidades a um corte de R$ 1 milhão no orçamento

DE SÃO PAULO

A Prefeitura de São Caetano do Sul (SP) decidiu repaginar seu modelo esportivo e dispensou 720 dos 986 atletas que defendiam a cidade.

"Em algum momento você teria que fazer isso por causa do custo-benefício", afirmou Mauro Chekin, secretário de Esporte e Turismo. "O esporte está ficando inviável."
A cidade foi campeã de 13 das 14 últimas edições dos Jogos Abertos do Interior e investia em 28 modalidades.

Com a decisão, sobreviveram quatro modalidades, que contam com patrocínios próprios. Mas a intenção da prefeitura é recontratar parte dos dispensados após estudo de viabilidade dos esportes.

A previsão inicial era ter um documento em um prazo de 30 a 45 dias, mas, após a repercussão da medida, a prefeitura quer fechar o estudo em no máximo um mês.
Chekin disse que preferiu dispensar e recontratar os atletas para permitir que quem não estiver nos planos da cidade tenha oportunidade de procurar outra equipe.
Questionado se não seria ideal já ter feito o estudo no final de 2010 para dispensar somente o necessário agora, Chekin reconheceu que não houve esse planejamento.

"Infelizmente não somos americanos ou orientais para ter essa visão macro lá atrás e planejar com essa tendência", disse ele. "Somos latinos. Então foi: "Vamos fazer? Legal, vamos fazer". E uma hora tinha que fazer."

Chekin afirmou que a mudança aconteceu por um corte de R$ 1 milhão no orçamento do esporte. Ele não quis declarar qual era o valor investido anteriormente.
Entre as equipes fechadas temporariamente estão as de judô e taekwondo, que têm medalhistas olímpicos.

O judoca Carlos Honorato, que defende a cidade há 14 anos e conquistou a prata em Sydney-2000, disse estar treinando no interior e que não poderia falar nada.
"Infelizmente, o judô entrou no arrastão", disse o coordenador Mario Tsutsui.
Segundo ele, a equipe tinha orçamento mensal de R$ 35 mil mensais e, no auge, dispunha de R$ 60 mil. A cidade abrigou medalhistas olímpicos como Henrique Guimarães e Tiago Camilo.

Tsutsui disse ter esperança de que a equipe possa ser remontada, ainda que mais modesta. "Muitos atletas estão esperando pela recontratação após essa quarentena."
O time adulto feminino de basquete, último colocado na Liga de Basquete Feminino, será extinto ao final da competição, em fevereiro.

domingo, 12 de setembro de 2010

Todas as medalhas do judô masculino na história dos campeonatos mundiais

Clique aqui para conferir todas as medalhas do judô masculino na história dos campeonatos mundiais da modalidade.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Todas as medalhas do judô masculino
na história dos campeonatos mundiais

João Derley, o primeiro brasileiro a ganhar medalha de ouro em um Mundial de judô
atualizado em 12/09

1971 (Ludwigshafen/ALE) - Chiaki Ishii (-93kg/bronze)
1979 (Paris/FRA): Walter Carmona (-86kg/bronze)
1987 (Essen /ALE): Aurélio Miguel (-95kg/bronze)
1993 (Hamilton/CAN): Aurélio Miguel (-95kg/prata) e Rogério Sampaio (leve/bronze)
1997 (Paris/FRA): Aurélio Miguel (-95kg/prata), e Fúlvio Myata (-60kg/bronze)
1999 (Birmingham/ING): Sebastian Pereira (-73kg/bronze)
2003 (Osaka/JAP): Mario Sabino (-100kg/bronze) e Carlos Honorato (-90kg/bronze)
2005 (Cairo/EGI): João Derly (-66kg/ouro) e Luciano Corrêa (-100kg/bronze)
2007 (Rio de Janeiro/BRA): João Derly (-66kg/ouro), Tiago Camilo (-81kg/ouro), Luciano Correa (-100kg/ouro) e João Gabriel Schilittler (+100kg/bronze)
2010 (Tóquio|/JAP): Leandro Guilheiro (-81kg/prata); Leandro Cunha (-66kg/prata)

A prata de Leandro Guilheiro e
o prêmio para a persistência

Leandro Guilheiro exibe a medalha de bronze conquistada nas Olimpíadas de Pequim
"Não só eu, mas todo mundo me cobrava uma medalha em campeonatos mundiais. Já tive resultado em tudo o que é evento e faltava essa." Definitivamente, Leandro Guilheiro merecia há tempos um resultado como esta medalha de prata conquistada nesta sexta-feira, na categoria até 81kg.

Mesmo tendo sido duas vezes medalhista olímpico, o que não é pouca coisa - bronze em Atenas-04 e Pequim-08 -, Guilheiro ainda estava em débito em Mundiais. Havia batido na trave em duas ocasiões. Embora a sonhada medalha tenha chegado, no fundo ele esperava alcançar um resultado ainda melhor.

"Num dia em que eu fiz sete lutas, é triste ter morrido na praia. Queria o ouro. Estou chateado, mas com o passar do tempo vou ver que essa medalha é uma conquista realmente importante e que coroou uma boa temporada", completou.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Judô feminino brasileiro brilha
no Japão com Mayra Aguiar

Mayra Aguiar conquistou o melhor resultado do judô feminino em Mundiais

Já faz algum tempo que o judô feminino deixou de ser apenas um mero coadjuvante e passou a conquistar resultados internacionais expressivos. O maior deles, sem dúvida, foi o bronze de Ketelyn Quadros nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.

Nesta quinta-feira, outra judoca entrou para a história. Mayra Aguiar, de apenas 19 anos, conquistoiu a medalha de prata na categoria até 78kg no Mundial do Japão, que está sendo disputado em Tóquio. A gaúcha foi derrotada na decisão do ouro pela americana Kayla Harrison, no golden score (morte súbita).

A prata de Mayra representa o melhor resultado alcançado por uma brasileira na história da competição. Até então, os principais feitos das mulheres brasucas no Mundial de Judô tinham sido as medalhas de bronze de Edinanci Silva (1997 e 2003) e Danielle Zangrando (1995).

Outro detalhe importante: o Mundial do Japão é a primeira competição que passa a contar pontos para o ranking de classificação olímpica, visando os Jogos de Londres-2012.  Uma medalha de ouro vale 500 pontos, a prata 300, o bronze vale 200. Um quinto lugar representa 100 pontos, enquanto a sétima posição renderá ao judoca 80 pontos.

Ao contrário das Olimpíadas anteriores, em Londres as vagas no judô pertencerão ao atleta e não mais ao país.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Fiascos em Mundiais preocupam

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 11 de setembro do Diário de S. Paulo

Os fatos não mentem: a recente leva de Campeonatos Mundiais, nas mais diversas modalidades olímpicas, trouxe mais decepções do que alegrias para o esporte brasileiro. Na prática, os únicos motivos de festa ocorreram no Mundial de Natação em Roma, graças ao impressionante desempenho de Cesar Cielo e suas duas medalhas de ouro (50 e 100m livre), além da prata de Felipe França nos 50m peito e o bronze de Poliana Okimoto, na prova dos cinco quilômetros de maratona aquática.

Em compensação, sobraram frustrações nos Mundiais de Atletismo (Berlim), Judô (Roterdã), Boxe (Milão) e Ginástica Rítmica (Mie, no Japão). Nenhuma medalha conquistada e no máximo, como prêmio de consolação, presença em algumas finais.

Como já disse na coluna do último dia 28 de agosto, ninguém quer iniciar uma caça às bruxas e colocar atletas diante de um pelotão de fuzilamento imaginário só por não terem obtido os resultados sonhados. Mas não se pode deixar de cobrar quem pode brilhar.

Além dos fiascos no atletismo, o judô brasileiro se juntou ao grupo das decepções, com as derrotas dos favoritos Tiago Camilo, Leandro Guilheiro e Luciano Correa. Do boxe e da ginástica rítmica não havia qualquer expectativa, mas ambos também passaram em branco. O que fica de tudo isso é que mesmo amparado com o dinheiro das loterias, que vem sendo despejado nas confederações desde 2001, o esporte brasileiro ainda é refém de suas raras estrelas para brilhar internacionalmente.

Foto: Divulgação/CBDA

A coluna Diário Esportivo, assinada por este blogueiro, é publicada às sextas-feiras no Diário de S. Paulo

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O fiasco do Brasil no Mundial de Judô. E a pergunta: o COB falará alguma coisa?

Nos últimos tempos, mais precisamente depois que o COB passou a ser pressionado pelos clubes formadores de atletas a ceder parte da verba das loterias, virou rotina as redações das editorias de esporte do país receberem comunicados do Comitê Olímpico Brasileiro enaltecendo bons desempenhos de atletas do país. Nas mais diversas modalidades.

Pode ser até campeonato de bolinha de gude, mas se por acaso algum brasileiro for campeão ou tiver uma participação de destaque, batata! Em questão de pouco tempo desembarcará na caixa de e-mail de jornal, TV ou rádio um release enchendo a bola do COB e dizendo que este feito foi obtido graças ao apoio dado pela entidade, com a verba proveniente da Lei Agnelo/Piva.


Se gosta tanto de "tirar uma casquinha" da glória alheia, o COB bem que poderia se manifestar também na hora das derrotas. Foi assim no atletismo, no Mundial de Berlim, e bem que poderia ser após a pífia participação do Brasil no Mundial de Judô, encerrado neste domingo, em Roterdã, no Holanda.

Foi a pior participação brasileira desde o Mundial de 2001, quando também não ganhou nenhuma medalha. Como foi dito por este blogueiro na última coluna Diário Esportivo, em relação ao atletismo, não se trata de ficar cobrando medalhas a torto e direito. A cobrança é feita em relação ao nível técnico da equipe e à própria estrutura financeira da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).

Ou dá para não falar em decepção com uma equipe brasileira que tinha a presença de dois campeões mundiais (Tiago Camilo e Luciano Correa) e dois medalhistas olímpicos (o mesmo Camilo e Leandro Guilheiro).?

A questão financeira é ainda mais complicada para se justificar. Como bem mostrou o ótimo blog do jornalista José Cruz (listado ao lado na relação dos favoritos deste blogueiro), a CBJ teve à disposição para 2009 a quantia de R$ 4.250.000,00 em verbas de patrocínio, originadas das loterias e do apoio da Infraero. Ou seja, pode ter faltado tudo, menos condições de preparar de forma decente a equipe brasileira.

Foto: Tiago Camilo

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Está chegando a hora da verdade para a candidatura do Rio às Olimpíadas de 2016

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 10 de abril do Diário de S. Paulo



Só beleza não adianta

“Em determinado momento da regata, ficamos com lixo preso no barco, uma situação muito chata. Se não fosse uma prova curta como essa, o certo seria andar para trás para que o lixo se soltasse, mas no meio de uma regata de porto é claro que isso era inviável. Para uma cidade que quer receber os Jogos Olímpicos, a água da Baía de Guanabara não é uma coisa bonita de se mostrar”. Estas palavras, que por si só possuem um peso negativo considerável para o Rio de Janeiro, que disputa o direito de ser sede dos Jogos Olímpicos de 2016, têm uma importância ainda maior quando se conhece o autor: Torben Grael, bicampeão olímpico na classe Star do iatismo, nas Olimpíadas de Atlanta-96 e Atenas-04.

As críticas de Torben, feitas logo após uma regata da etapa do Rio na Volvo Ocean Race, no último final de semana, devem servir, acima de tudo, como um alerta às ondas de ufanismo que começarão a surgir nos próximos meses e que terminarão no dia 2 de outubro, data da escolha da sede dos Jogos de 2016, em Copenhague, na Dinamarca. Com o início das visitas da comissão inspetora do Comitê Olímpico Internacional (COI) pelas quatro candidatas, começarão a pipocar aqui e acolá conhecidas “estratégias de campanha”, procurando enaltecer ao máximo o que é bonito e esconder a todo custo o que não presta.

Na última terça-feira, por exemplo, ao encerrar a visita a Chicago, a comissão do COI não poupou adjetivos, classificando a candidatura como “forte e impressionante”. Coincidentemente, os reflexos da crise mundial nos EUA nem foram citados. Os coordenadores da candidatura de Tóquio divulgaram que a capital japonesa é quem está mais qualificada para receber os Jogos devido a razões históricas, econômicas e ambientais. Madri tem o apoio declarado do ex-presidente do COI, Juan Antonio Samaranch. E a campanha do Rio, que em seu dossiê de apresentação apostou forte no conceito “Cidade Maravilhosa”, com certeza não poderá se orgulhar da Baía de Guanabara, após as duras palavras de Torben Grael. Ao contrário do que disse certa vez o ex-prefeito César Maia, nem sempre beleza é fundamental.

Recordar é viver
A despoluição da Baía de Guanabara fazia parte do chamado “legado do Pan”. Nem é preciso dizer que nada foi feito. Aliás, por que é que o TCU ainda não divulgou o relatório sobre a prestação de contas do Pan 2007?

Dinheiro desperdiçado
Cada um faz o que quiser com seu dinheiro. Mas não teria sido melhor o empresário Eike Batista investir os R$ 10 milhões doados à candidatura dos Jogos de 2016 para ajudar atletas que sofram com a falta de patrocínio, como a judoca medalhista olímpica Ketleyn Quadros, ou então contribuir para o tratamento da ginasta Jade Barbosa, que tem uma grave lesão no pulso direito?

Líder em gastos
Os Jogos de 2016 podem custar ao governo do Brasil R$ 29,5 bilhões. Mais do que o orçamento de Tóquio e Chicago somados.

Foto: um flagrante da poluída Baía da Guanabara, no Rio

A coluna Diário Esportivo, assinda por este blogueiro, é publicada às sextas-feiras no Diário de S. Paulo

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Perguntar não ofende

Ao invés de doar R$ 10 milhões para a candidatura do Rio para ser sede das Olimpíadas de 2016, que dificilmente sairá vencedora, não teria sido melhor que o empresário Eike Batista tivesse destinado esta dinherama toda para ajudar a melhorar a vida de atletas que sofrem com a falta de patrocínio, como a judoca Ketleyn Quadros? Ou então bancar o tratamento da ginasta Jade Barbosa, que sofre com uma lesão crônica no pulso direito?

terça-feira, 7 de abril de 2009

Começou mal a Comissão de Atletas do COB

Antes de mais nada, é bom que se ressalte a importância do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) em ter criado a Comissão de Atletas, apresentada com toda a pompa nesta terça-feira, no Rio. O próprio Comitê Olímpico Internacional (COI) possuí sua comissão e a lista do COB seguirá os mesmos parâmetros.

O que é duro de aceitar é o nome colocado para presidir a comissão brasileira: Bernard Rajzman, que se como atleta brilhou em quadra, ao integrar a seleção brasileira masculina de vôlei que foi medalha de prata nas Olimpíadas de Los Angeles, fora de quadra sempre teve um postura para lá de questionável. Só para recordar os que têm memória curta, Bernard foi deputado estadual pelo PFL durante seis anos (1997-2002), além de ter sido Secretário Nacional de esportes do governo de Fernando Collor, de tão triste memória para os brasileiros.

Eis os demais integrantes da Comissão de Atletas do COB:

Hortência Marcari (basquete - vice-presidente)

César Cielo (natação)
Daiane dos Santos (ginástica artística)
Giovane Gávio (vôlei)
Gustavo Borges (natação)
Gustavo Kuerten (tênis)
Hugo Hoyama (tênis de mesa)
Isabel Clark (snowboard)
Janeth Arcain (basquete)
Marcelo Ferreira (iatismo)
Marta Vieira (futebol)
Natália Falavigna (taekwondo)
Robert Scheidt (iatismo)
Robson Caetano (atletismo)
Rogério Sampaio (judô)
Sandra Pires (vôlei de praia)
Vanderlei Cordeiro de Lima (atletismo)
Álvaro Affonso de Miranda - Doda (hipismo)

Cá entre nós, com exceção de César Cielo, que ainda não confirmou se aceitará o convite para integrar a Comissão, nenhum dos integrantes acima tem o perfil de quem irá "incomodar" o COB com um posicionamento mais crítico ou contestador.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A briga pelo dinheiro

Coluna Diário Esportivo, publicada na edição de 6 de fevereiro de 2009 do DIário de S. Paulo

Uma revolução que pode diminuir o bolo do COB

Nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, um imaginário país enviou para a China uma delegação composta por 40 pessoas, 30 delas atletas. Ao final dos 19 dias de competição, este “país” ocupou o 50 lugar no quadro geral de medalhas, com uma de ouro e duas de bronze. Estaria ao lado da Índia e ficaria à frente de algumas nações do chamado “primeiro mundo”, como Suécia e Áustria, que terminaram os Jogos sem nenhuma medalha de ouro. O país imaginário, na verdade, é o Pinheiros, um dos mais tradicionais clubes de São Paulo e conhecido centro formador de atletas para o esporte brasileiro.

Mas se a participação do Pinheiros rendeu bons resultados, através das medalhas do nadador César Cielo (um ouro e um bronze) e do judoca Leandro Guilheiro (um bronze), outras entidades, como o Minas Tênis Clube, Sogipa, Grêmio Náutico União, e até clubes tradicionais no futebol, como o Flamengo, também tiveram uma presença efetiva na delegação olímpica em Pequim. Para ser mais preciso, enviando 77% dos atletas brasileiros que estiveram na China. Diante deste quadro, os clubes cansaram de trabalhar com o bolso vazio, enquanto o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) fica com generosa parcela dos recursos da Lei Piva, sob o argumento de bancar as despensas administrativas da entidade. Com a criação do Confao (Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos), os clubes vão brigar para que este bolo seja melhor dividido. O COB, é óbvio, irá lutar para que isso não aconteça. Pelo visto, a revolução no esporte olímpico brasileiro só está começando.

Guerra de números

Os clubes integrantes do Confao dizem que o COB fica com cerca de 50% dos recursos da Lei Piva e, pelas contas da nova entidade, poderiam abocanhar 30% desta verba. “Acho que 20% para as despesas administrativas está bom demais”, diz Márcio Braga, presidente do Flamengo. Já o COB divulgou terça-feira um comunicado, lembrando que a Lei Piva proíbe repasse de verbas a clubes com dívidas tributárias. O alvo era justamente o Flamengo, que passa por grave crise financeira, a ponto de terceirizar a equipe de ginástica artística, agora financiada pela prefeitura de Niterói.

Jadel contra Usain Bolt?

Jadel Gregório se prepara para a temporada de 2009, cujo objetivo é conquistar uma medalha no Mundial de Atletismo de Berlim, em agosto. E o recordista sul-americano do salto triplo acrescentou uma novidade em sua programação: começará a disputar provas de 100m rasos. Mas ele jura que não é para desafiar o incrível jamaicano Usain Bolt. “Será útil para aprimorar a minha velocidade”, garante Jadel.

Basquete de luto

Em apenas dois dias, o basquete brasileiro sofreu duas perdas muito tristes: a jovem pivô Michelle Splitter e Adílson Nascimento, ambos vítimas de câncer.

A coluna Diário Esportivo é publicada todas às sextas-feiras pelo Diário de S. Paulo

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O marqueteiro Flamengo pode aplicar um duro golpe no esporte olímpico brasileiro



O Flamengo, o clube que mais adora lançar factóides no Brasil, está perto de dar uma profunda punhalada no esporte olímpico do Brasil. Segundo informa o UOL Esporte, o orçamento de 2009, que será aprovado ainda este mês pelo conselho deliberativo do clube, prevê cortes para as verbas de departamentos de diversas modalidades.

Alguns destes cortes irão afetar atletas de ponta do país, como os ginastas Diego e Daniele Hypólito, além de Jade Barbosa, todos integrantes da seleção brasileira permanente. Também estão ameaçados pelo corte de verba o judoca olímpico Leonardo Leite e o time masculino de basquete.

"Eu acredito que, com uma redução de 20% no orçamento, ainda conseguimos manter os principais atletas, como os ginastas. Agora, se a redução for maior, pode ser complicado", disse a ex-nadadora e vice-presidente de esportes olímpicos, Patrícia Amorim.


O que mais mais me irrita no Flamengo é a absoluta falta de compromisso com a coerência. O time, afundado em enormes dívidas há anos, parece aquele ex-milionário que ainda vive na velha mansão, só para manter as aparências. O clube, na verdade, mal tem condição de manter sue time de futebol profissional, o que dirá de esportes olímpicos! O pior é que deixará um ginasta de alto nível, como Diego Hypólito, com uma mão na frente e outra atrás, ainda mais porque ele acabou de perder seu patrocínio pessoal.

E no caso de Jade Barbosa, a situação beira à irresponsabilidade. Após a divulgação da gravidade da lesão no pulso direito de Jade, o Flamengo apareceu correndo para avisar que ajudaria a bancar o tratamento nos EUA.

Mas com que dinheiro, cara-pálida?

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Os estranhos critérios do COB para distribuir o dinheiro da Lei Piva

O anúncio feito nesta quarta-feira pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) dos valores da Lei Piva que serão repassados às confederações de esportes olímpicos e para o comitê paraolímpico em 2009 confirmou, em boa parte, a proposta inicial feita pelo próprio COB, quando chegou a despertar a irritação de alguns dirigentes, como Alaor Azevedo, presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (relembre aqui).

Se não houve surpresa para as entidades que receberão a maior fatia do bolo - Atletismo, Desportos Aquáticos, Judô, Vela e Vôlei, com R$ 2,5 milhões para cada uma -, chega a estranhar a distribuição no terceiro grupo de modalidades, aquelas que, segundo o comunicado do COB, são "em desenvolvimento com resultado sul-americano, pan-americano e mundial".

De acordo com estes critérios (a tal "meritocracia"), a Canoagem, o Ciclismo, o Remo e o Tênis de Mesa levarão R$ 1,6 milhão; o Triatlo, outra modalidade integrante deste grupo, receberá R$ 1,2 milhão; e o Taekwondo, R$ 1 milhão.

O que eu não consigo entender (e aceitar) é que o taekwondo brasileiro, que ganhou sua primeira medalha olímpica da história com o bronze de Natalia Falavigna em Pequim, receba uma verba menor do que esportes que só estão conseguindo resultados em torneios de menor importância. Uma grande injustiça, em minha opinião.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O desigual mundo do esporte brasileiro

Coluna Diário Esporrtivo, publicada na edição de 14 de novembro do Diário de S. Paulo


Muito para poucos. Eis a lógica do COB

Em 1974, o economista brasileiro Edmar Bacha criou uma expressão para definir a distribuição de renda do Brasil. Segundo ele, a maior parte da riqueza do país estaria concentrada numa pequena Bélgica, enquanto a pobreza ficaria reservada para a grande Índia, resultando na “Belíndia”. Na semana passada, a definição do professor Bacha voltou a ser usada. Revoltado com a proposta do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) de distribuição de verbas da Lei Piva para o ciclo olímpico visando os Jogos de Londres-2012, o presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, Alaor Azevedo, não se preocupou em escolher as palavras e bateu pesado na entidade que comanda o esporte olímpico brasileiro.

“Nesse esquema do COB, seis Confederações ficam com tudo e as outras com nada. Você distribui a pobreza e cria uma 'Belíndia'. Alguns esportes moram na Bélgica, outros na Índia", disparou Azevedo. Mesmo no comando de uma modalidade que vem colecionado raros bons resultados internacionais (os fracos Jogos Pan-Americanos, onde o interminável Hugo Hoyama consegue brilhar, são a exceção), Azevedo tem razão em suas críticas. Pelo novo modelo proposto, o COB irá premiar a meritocracia (palavrinha horrorosa, hein?), cujo objetivo é premiar as modalidades que conseguirem alcançar os melhores resultados em competições internacionais.

No papel, tudo muito bonito. O problema é que entidades que já recebem gordas verbas estatais, como atletismo, vôlei, desportos aquáticos e judô, poderão ser brindadas com a maior fatia do bolo: R$ 2,5 milhões cada uma, em 2009. O tênis de mesa, de Alaor Azevedo, levaria pela proposta R$ 1,6 milhão, mas alguns esportes podem ficar com menos dinheiro ainda, como badminton, esgrima, levantamento de peso e lutas (R$ 700 mil cada um). A definição da distribuição da verba da Lei Piva será em 3 de dezembro, mas pelo jeito, a Belíndia do esporte brasileiro está longe de acabar.

Incompetência punida

Talvez a única coisa justa da proposta do COB tenha sido o repasse à Confederação Brasileira de Basquete. Para 2009, a verba seria de R$ 1,5 milhão, bem menos do que os R$ 2.278.000 recebidos em 2008. Mas está bom demais para a CBB, que só coleciona vexames internacionais (como a ausência da seleção masculina em Olimpíadas desde 1996) e tem até um patrocínio estatal.

Estranho esquecimento

Pegou muito mal a nota publicada no site da Confederação Brasileira de Ginástica, tentando desmentir reportagem publicada pelo DIÁRIO, do repórter José Eduardo Martins, sobre a ameaçada entidade em processar as atletas que criticaram os métodos de treinamento. Será que além de omissos os dirigentes da CBG também sofrem de amnésia?

A coluna Diário Esportivo, assinada por este blogueiro, é publicada às sextas-feiras no Diário de S. Paulo

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A volta da coluna Diário Esportivo

Após a maratona olímpica, o Diário de S. Paulo volta a publicar, na edição desta sexta-feira, a coluna Diário Esportivo. Neste retorno, este escriba faz a primeira de três colunas abordando os melhores (e piores) momentos dos Jogos Olímpicos de Pequim. Confira...

Pitacos olímpicos (parte 1)

Podem falar qualquer coisa dos recém-encerrados Jogos Olímpicos de Pequim, menos que eles não foram marcantes. Estes Jogos serão lembrados para sempre como aqueles em que China encantou o planeta com uma cerimônia de abertura inesquecível, porém manchada para sempre pela vergonhosa história da dublagem da linda garotinha Lin Miaoke, que fingiu cantar “Ode à Pátria”, e que foi escolhida por ser mais bonita (para os padrões chineses) do que a cantora de verdade, Yang Peiyi, de apenas sete anos.

Os Jogos de Pequim foram aqueles em que o mundo viu marcas consideradas insuperáveis serem simplesmente pulverizadas por verdadeiros fenômenos do esporte, como o nadador americano Michael Phelps, que ganhou oito medalhas de ouro, sepultando o feito do compatriota Mark Spitz, sete vezes campeão olímpico em Munique-1972; o velocista jamaicano Usain Bolt, a figura mais carismática das Olimpíadas, que ganhou os 100m rasos quase brincando e ainda cravou o impressionante tempo de 9s69; e a saltadora russa Yelena Isinbayeva, que mais uma vez superou seu próprio recorde no salto com vara, com 5m05.

Foi ainda em Pequim que duas atletas de países em conflito armado (Natalia Paderina, da Rússia, e Nino Salukvadze, da Geórgia) se abraçaram no pódio em uma prova do tiro, mostrando que o espírito olímpico ainda sobrevive.

Meninas brilhantes

Para o Brasil, Pequim-2008 também será inesquecível, para o bem e para o mal. Na China, as mulheres brasileiras conseguiram brilhar como nunca, com Maurren Maggi (a primeira campeã olímpica individual, no salto em distância); as garotas da seleção de vôlei (primeiro título olímpico feminino); Natália Falavigna (bronze no taekwondo, a primeira medalha da história da modalidade no Brasil); a dupla Fernanda Oliveira e Isabel Swan (bronze na classe 470, a primeira medalha feminina do iatismo); e Ketleyn Quadros, que por ordem cronológica na programação dos Jogos, tornou-se a primeira brasileira a faturar uma medalha individual em Olimpíadas, com o bronze na categoria até 57kg.

Chororô nacional

O Brasil que fez festa também chorou bastante, com o fim da hegemonia do vôlei masculino; o fiasco (mais um) de Jadel Gregório no salto triplo; o incrível tombo do favorito ginasta Diego Hypólito; e o sumiço da vara de Fabiana Murer. Para piorar, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que recebeu fortunas de verbas públicas para a preparação olímpica, teve que fazer um malabarismo para dizer que o desempenho nacional foi excelente, apesar de ter obtido o mesmo número de ouros (3) e total de medalhas (15) do que em Atlanta-1996. Enfim, os Jogos de Pequim foram tão marcantes que uma coluna só é muito pouco para falar sobre tudo o que se passou nestes incríveis dias de agosto. E assim, os pitacos olímpicos prosseguirão pelas próximas duas colunas.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Pequim-08: e as medalhas brasileiras?

No Brasil, ao contrário da China, a situação é um pouquinho diferente...

Apesar do dinheiro injetado pela Lei Piva, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) não destinou nenhuma verba para premiar as conquistas brasileiras em Pequim, deixando este papel de mecenas para as respectivas confederações.

O vôlei, modalidade esportiva mais organizada do país, iria pagar R$ 4,75 milhões para a conquista da medalha de ouro. Não deverá pagar nada pela prata. As garotas da seleção feminina, que pela primeira vez faturaram o título olímpico, irão receber cerca de metade do prêmio dos homens (R$ 2,4 milhões).

A fantástica medalha do nadador César Cielo nos 50m livre não terá qualquer tipo de premiação da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). Até agora, o presidente da entidade, Coaracy Nunes, não anunciou se haverá prêmio em dinheiro pelo desempenho de Cielo (que também foi bronze nos 100m livre).

Os judocas Leandro Guilheiro, Tiago Camilo e Ketleyn Quadros receberão R$ 20 mil por suas medalhas de bronze da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).

Por fim, ainda não foi confirmado se a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) de São Paulo fará sua tradicional premiação aos medalhistas olímpicos, a exemplo do que ocorre desde os Jogos de Seul-88, quando a entidade distribuiu barras de ouro a todos os atletas que ganharam medalhas.

Os medalhistas individuais recebem barras de ouro de um quilo; os de prata, 500 gramas; e os de bronze, 250 gramas. Nos esportes coletivos, todos os atletas são premiados, mas recebem uma quantia menor (250 gramas). Entre os Jogos de 88 e 2004, a BM&F já premiou os medalhistas brasileiros com 55,75 quilos de ouro.

Foto: divulgação/COB

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Nuzman reinventa a matemática para inflar a participação do Brasil em Pequim

Incrível o trabalho que o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, teve para tentar explicar a participação brasileira nos Jogos Olímpicos de Pequim, encerrados domingo e que tiveram uma modesta coleta de medalhas por parte do Brasil: 15 no total (igualando Atlanta-96), sendo três de ouro, quatro de prata e oito de bronze. Segundo o dirigente, numa coletiva em que fez um balanço do Brasil nos Jogos, houve uma inquestionável evolução.

"O crescimento esportivo de um país não deve ser medido apenas por medalhas. A presença de um maior número de atletas e de modalidades em finais olímpicas indicam a evolução qualitativa do esporte brasileiro nas últimas quatro edições dos Jogos Olímpicos", enalteceu Nuzman, lembrando que o país chegou a 38 finais (contra 30 de Atenas-04), além deter conquistado três medalhas de ouro inéditas (César Cielo/natação, Maurren Maggi/atletismo e vôlei feminino).

Porém, o cartola usou dois critérios diferentes ao analisar os pódios brasileiros. Por exemplo, exaltou que o Brasil ficou em 17º lugar na classificação por total de medalhas e que terminou à frente de Cuba em relação a ouros conquistados. Engraçado é que no total de medalhas, os cubanos ficaram à frente (24 contra 15)...

O problema é que todo este exercício matemático cai por terra quando confrontamos o desempenho olímpico brasileiro ao investimento federal na delegação. Nunca antes na história deste país (como diria o presidente Lula) se colocou tanto dinheiro em uma delegação esportiva. Neste ciclo olímpico (2005-08), o esporte de alto rendimento recebeu cerca de R$ 1,2 bilhão, incluídos aí verba da Lei Piva, lei de incentivo fiscal, patrocínios estatais e programa Bolsa Atleta, segundo reportagem desta segunda-feira, na Folha de S. Paulo.

Com tanto dinheiro assim, seria natural esperar uma participação melhor e em uma quantidade maior de modalidades. Mas o que se viu foram os mesmos esportes sendo premiados (vôlei, vôlei de praia, natação, iatismo, judô, atletismo, futebol), com o taekwondo sendo a exceção.

Para Londres-2012, que se faça um controle mais rígido do destino das verbas públicas no investimento olímpico, com a instalção de um programa de metas. Ou do contrário, daqui a quatro anos estaremos festejando os poucos heróis olímpicos de sempre e chorando as medalhas perdidas.

domingo, 24 de agosto de 2008

As mulheres brasileiras jamais irão se esquecer dos Jogos de Pequim

Seleção feminina de vôlei, Maurren Maggi, Ketleyn Quadros, Fernanda Oliveira e Isabel Swan, Natália Falavigna...Não dá para negar que os Jogos Olímpicos de Pequim ficarão marcados na história olímpica do Brasil como o ponto alto da participação da mulher brasileira.

Até Pequim-08, nunca uma mulher brasileira havia conquistado uma medalha individual. Foi então que Ketleyn Quadros quebrou este jejum, com seu bronze no judô, categoria até 57kg.

Até Pequim-08, as mulheres brasileiras jamais tinham obtido uma medalha no iatismo, esporte que mais rendeu metais ao país em Olimpíadas. Foi então que Fernanda Oliveira e Isabel Swan, na classe 470, faturaram o bronze.

Até Pequim-08, o atletismo brasileiro nunca tinha conquistado qualquer medalha. E a primeira que veio foi logo de ouro, com Maurren Maggi tendo a honra de se tornar a primeira mulher campeã olímpica do Brasil, com sua incrível vitória no salto em distância.

Até Pequim-08, o taekwondo, esporte pouco difundido no Brasil, jamais chegou perto de trazer uma medalha olímpica. E a primeira coube a uma mulher, Natália Falavigna e seu bronze na categoria acima de 67kg.

Por fim, até Pequim-08, o vôlei feminino brasileiro finalmente conseguiu chegar à final olímpica, depois de bater na trave quatro vezes. Mas era pouco e elas trouxeram nada menos do que uma medalha de ouro.

Para as mulheres do Brasil, que fizeram bonito em Pequim e não pipocaram, todas as homenagens.

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