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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Edson Bispo dos Santos é mais um herói
a dar adeus no basquete brasileiro

Algodão, Wlamir, Edson Bispo, Amaury e Blatkauskas: geração de ouro

No final de semana que ficará marcado pela notícia de que Ronaldo anunciará nesta segunda-feira sua despedida do futebol e que os garotos da seleção brasileira sub 20 conquistaram de maneira brilhante a vaga para as Olimpíadas de Londres-2012 e o título do Campeonato Sul-Americano do Peru, um fato praticamente passou em branco da atenção da grande mídia: a morte de Edson Bispo dos Santos, campeão mundial de basquete em 1959 e duas vezes medalhista olímpico, com os bronzes nos Jogos de Roma (1960) e Tóquio (1964).

Edson Bispo tinha 75 anos e morreu na madruga do último sábado no Instituto Dante Pazzaneze, em São Paulo, após sofrer um enfarte. Seu corpo fopo cremado neste domingo, no Crematório da Vila Alpina. Carioca, nascido em 27/5/1935, Edson Bispo começou a carreira no Vasco e depois atuou no Corinthians, Palmeiras e Hebraica, o último clube onde atuou. 


Como treinador, Edson Bispo dirigiu a seleção brasileira masculina, onde foi campeão pan-americano de 1971, sexto colocado no Mundial de Porto Rico, em 1974 e medalha de bronze no Pan-Americano do México, em 75. Ele era também o técnico na campanha do Pré-Olímpico de 1976, em Hamilton, quando o Brasil ficou fora do torneio olímpico de basquete pela primeira vez na história.


Em dezembro de 2010, durante uma homenagem aos medalhistas das Olimpíadas de Roma, o grande Wlamir Marques (na foto acima, com Edson Bispo) tomou o microfone e deu uma cobrada na Confederação Brasileira de Basquete (CBB). "Estamos morrendo. Não esperem 50 anos para fazer homenagem. Tem de ser de dez em dez anos, no máximo".

Infelizmente, a profecia de Wlamir Marques está se confirmando.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Pitacos sobre o grupo do Brasil no Pré-Olímpico masculino de basquete

O sorteio aconteceu na última quinta-feira, mas ainda dá tempo de dar os meus pitacos sobre o grupo da seleção brasileira masculina no Pré-Olímpico de basquete de Mar del Plata, que ocorrerá entre 30 de agosto e 11 de setemnro próximos. Não se pode dizer que será uma pedreira, mas o grupo onde caiu o Brasil (o grupo A) está longe de ser considerado uma moleza.

Na primeira fase da competição, a seleção enfrentará Canadá, República Dominicana, Cuba e Venezuela. Já a Argentina caiu na chave B e terá como primeiros adversários Porto Rico, Uruguai, Panamá e Paraguai. Enquanto os argentinos têm como único grande rival a seleção porto-riquenha, o time comandado pelo técnico Ruben Magnano (argentino, é bom lembrar) tem canadá e República Dominicana como times considerados "chatinhos". Sem falar de Cuba, que vem fazendo um bom trabalho de renovação e voltando a contar com um bom time.


Mas a verdade é que, com a seleção dos Estados Unidos classificada antecipadamente para as Olimpíadas de Londres, são bastante reais as chances da seleção brasileira voltar a disputar os Jogos em 2012. As duas vagas do Pré-Olímpico ficarão com Argentina e Brasil. Podem escrever e me cobrar depois.

Abaixo, um belo vídeo promocional do Pré-Olímpico de Mar del Plata. A linda Mar del Plata, diga-se de passagem.





segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Incrível: CBB e Hortência fecham
temporada de 2010 em grande estilo

Vecchi, o escolhido da CBB para a seleção feminina
O ano está quase terminando, mas ainda assim com direito a surpresas, nada agradáveis, no basquete feminino brasileiro. Isso porque não dá pra ficar otimista com a indicação de Ênio Vecchi para ocupar o cargo de técnico da seleção feminina adulta, notícia confirmada pelo site da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) neste último domingo.

A CBB, e por tabela a diretora de basquete feminino da entidade, Hortência Marcari, continuam metendo os pés pelas mãos. Depois do indecente processo de fritura que impuseram a Paulo Bassul; depois de fechar os olhos para a arrogância e indisciplina da ala Iziane Marques; e depois de colocarem um espanhol sem currículo no comando da seleção, chamado Carlos Colinas; eis que fecham a temporada de 2010 com a indicação de Vecchi para dirigir a seleção. Um técnico que, diga-se de passagem, jamais trabalhou com o basquete feminino ao longo de toda a sua carreira.

Mas este não é o maior problema desta escolha bizarra de Carlos Nunes, presidente da CBB, e de Hortência. Pessoalmente, não tenho nada contra Vecchi, mas como aprovar a escolha de um técnico que tem no seu currículo - mas que foi estranhamente ignorado no texto do site da CBB - uma das mais vexatórias campanhas do Brasil em Mundiais masculinos, o 11º lugar no Canadá, em 1994?

Um pouco de história

Estava cobrindo aquele Mundial e presenciei, in loco, a campanha ridícula protoganizada pela seleção brasileira. Logo na estreia, após uma incrível derrota para a China (que na época era um time que ninguém levava em consideração), Vecchi foi à entrevista coletiva. E alguns jornalistas americanos que estavam lá questionavam o treinador brasileiro pela ausência, para eles inexplicável, do ala Oscar Schmidt, que ainda brilhava no basquete europeu.

Aqui vale um parênteses: em 1993, o então presidente da CBB, Renato Brito Cunha, com seu estilo personalista e um pouco amalucado, resolveu implantar uma renovação forçada no masculino e feminino. Se entre as mulheres ele não poderia fazer muita coisa, pois não havia material humano disponível para uma renovação radical, o mesmo não aconteceu no masculino. Brito Cunha pôs dois treinadores completamente desconhecidos - Miguel Ângelo da Luz, no feminino, e Ênio Vecchi, no masculino - e saiu garganteando que estava fazendo uma revolução no basquete.

Mas enquanto no feminino era impossível se pensar numa seleção sem Hortência e Paula, no masculino Bruto Cunha impôs a Vecchi que fizesse uma equipe sem os medalhões. E assim, por decreto,estava decretada o fim da era de Oscar, Marcel, Maury, Israel (todos integrantes do time que havia sido 5º colocado nas Olimpíadas de Barcelona, em 92). Que técnico experiente e com o mínimo de juízo aceitaria sem questionar e se rebelar com as maluquices de Brito Cunha? Nenhum, é claro. Por isso, coube ao inexperiente Ênio Vecchi, com um bom currículo nas equipes de base de São Paulo, é verdade, a responsabilidade de dirigir a seleção masculina. Mas sem moral alguma para contestar as ordens de Brito Cunha.

E o Brasil foi ao Mundial de 94 com um time recheado de jovens e de jogadores sem experiência na seleção, como Rogério, Márcio, Rato, enquanto Oscar estava arrebentando no basquete italiano, com incríveis 35 pontos por jogo. De volta à coletiva de Hamilton (local do grupo do Brasil), após três perguntas dos americanos sobre a ausência de Oscar na seleção, Ênio Vecchi saiu-se com esta resposta.

"O tempo de Oscar Schimidt na seleção brasileira já acabou. Não há mais lugar para um jogador como ele dentro do novo espírito que a Confederação Brasileira de Basquete quer impor à seleção masculina". Após esta resposta, todos os jornalistas americanos (e boa parte dos estrangeiros) se levantaram e deixaram a sala, para perplexidade de Vecchi e dos jornalistas brasileiros que estava presentes. Com certeza ele perceberam que não estavam diante de uma pessoa séria.

O 11º lugar naquele Mundial mostrou quem estava com a razão. E será este treinador - que diga-se de passagem dirige o penúltimo colocado no NBB 2010/11 - que comandará a seleção feminina brasileira até as Olimpíadas de Londres, em 2012.

Está mal das pernas o basquete feminino, hein?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Hortência está precisando de uma bússola

Hortência ainda não acertou a mão como cartola da CBB/Crédito: Divulgação

A correria anda grande nos últimos dias, por causa da implantação do novo site do iG Esporte (que por sinal, será show de bola, posso garantir). Por isso, andei meio sumido daqui. Mesmo assim, não dá pra não comentar a mais recente patacoada protagonizada pela diretora de basquete feminino da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), Hortência Marcari.

Depois de anunciar, na última sexta-feira, a demissão do espanhol Carlos Colinas - que por sinal nunca deveria ter sido contratado, tendo em vista a campanha pífia da seleção no Mundial da República Tcheca - e negar que iria convidar a assistente técnica Janeth Arcain para assumir o cargo, eis que Hortência mostrou que coerência não é o seu forte. No último domingo, conforme foi publicado no iG Esporte que chegou a ligar para Hortência e lhe ofereceu o cargo. "Mas ela disse não. Disse que queria cumprir todo o processo que estamos preparando para que ela se torne treinadora da seleção nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016", afirmou Hortência.

O pior, ainda estava por vir. Após dizer que também não acharia correto que Janeth assumisse  a seleção adulta, disse que se a ex-companheira dissesse sim, o cargo seria dela!

Sem contar a invertida que levou ao convidar Luiz Zanon, técnico da Americana, que preferiu continuar no comanda de sua equipe na Liga Nacional a assinar um contrato de dez meses.

Hortência, como dirigente, não consegue mostrar nem 10% do talento que tinha dentro de quadra. É uma bobagem atrás da outra. Mas sobre isso, a melhor análise que li foi do excelente Painel do Basquete Feminino, em post assinado por Bert. Um texto direto e uma análise perfeita.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Hortência revolta os psicólogos

Eu acho que Hortência não anda muito popular entre os psicólogos

Hortência: de rainha a sapo



Escrito por João Ricardo Cozac - do site do Ceppe
 
Amigos, a cada dia que passa, menos esperança consigo nutrir pela evolução e modernização no esporte brasileiro. Desta vez, a desastrosa pérola veio da boca de uma ex-rainha do nosso basquete. Sim, Hortência conseguiu se superar nas declarações após a pífia campanha da nossa equipe no último Mundial.
 
Quando indagada sobre a necessidade de um trabalho psicológico, Hortência se saiu com esta pérola: “Várias vezes ligamos para a psicóloga no Brasil para ver o que poderíamos fazer. Elas lidaram muito mal com a derrota, o técnico se perdeu. Quando começaram a engrenar, já era tarde. Um dia, eu fiquei às 3h da manhã procurando música para um vídeo motivacional que ia passar para as meninas. Não acho que tem necessidade de levar um profissional de psicologia e vou continuar não levando"
 
Após prestar serviços honrosos e de saudosa lembrança dentro de quadra, Hortência tem sido o anti-exemplo fora das quatro linhas. Tentou a carreira como comentarista na televisão e fracassou. Deixou de ser convidada pelos principais programas esportivos por conta da postura que não agradava a audiência. Casou-se e, pouco tempo depois, se divorciou de um socialite da aristocracia paulistana conhecido por ser o playboy da nossa Paulicéia. Rendeu-se à tecnologia dos recursos gráficos de uma importante revista masculina onde realizou um ensaio sensual.  Entrou para a direção da Confederação Brasileira de Basquete e agora empunha a bandeira contra o trabalho psicológico no basquete. Ei, Hortência, o que se passa com você?
 
Infelizmente, amigos, vários atletas que fizeram sucesso na década de 80 estão, hoje,  no comando de confederações esportivas usando e abusando da ignorância e da falta de recursos intelectuais e gerenciais nas diversas modalidades que naufragam mais e  mais neste mar do descaso e da superficialidade na visão/concepção de atleta e equipe.
 
Ficar até às 3 horas da manhã procurando musiquinha para motivar a equipe é, no mínimo, digno de um amadorismo típico das cabeças mais retrógradas e limitadas de nosso esporte. A verdade, amigos, é que dirigentes como a Hortência sofrem pela insegurança e pelo medo de se sentirem ameaçados na presença de um profissional da Psicologia. É muito comum treinadores e supervisores de equipes optarem pelo distanciamento dos psicólogos do esporte justamente pela falta de crença no próprio trabalho.
 
Quem perde com isso? Todos! O basquete brasileiro, as atletas que ali estiveram no Mundial, a Psicologia do Esporte, a modernidade na preparação esportiva e, em especial, a ex-rainha Hortência que, para mim e tantas outras pessoas que suspiravam junto com ela a cada arremesso livre no passado, hoje lamentam a quebra de sua coroa por conta da vaidade, ignorância e soberba.

domingo, 3 de outubro de 2010

Brasil caiu no ranking da Fiba...
agora até no feminino


Mais um feito memorável de Carlos Colinas, Hortência e cia: depois de muito tempo integrando um lugar entre as quatro melhores seleções do mundo, o Brasil caiu no novo ranking feminino de basquete, após o encerramento do Campeonato Mundial da República Tcheca.

Agora, a seleção brasileira ocupa a sexta posição no ranking da Fiba (Federação Internacional de Basquete), duas posições abaixo da última classificação, atualizada após a Copa América de 2009.

Sem dúvida nenhuma, o Mundial de 2010 só trouxe prejuízos ao basquete feminino brasileiro. Até mesmo numa aparente bobagem, como este ranking da Fiba.

Confira aqui os 10 primeiros colocados:

  1. EUA - 940 pontos
  2. Rússia - 780 pontos
  3. Austrália - 745 pontos
  4. República Tcheca - 513 pontos
  5. Espanha - 500 pontos
  6. Brasil - 416 pontos
  7. França - 274 pontos
  8. China - 252 pontos
  9. Coreia do Sul - 232 pontos
  10. Cuba - 188 pontos
Confira a lista completa no site da Fiba

A classificação final do Campeonato Mundial feminino de basquete da Rep. Tcheca


  1. Estados Unidos
  2. República Tcheca
  3. Espanha
  4. Belarus
  5. Austrália
  6. França
  7. Rússia
  8. Coreia do Sul
  9. Brasil
  10. Japão
  11. Grécia
  12. Canadá
  13. China
  14. Argentina
  15. Mali
  16. Senegal

A participação da seleção brasileira nos Mundiais femininos de basquete

Uma lição de esportividade

Seleção dos EUA comemora o título do Mundil feminino/Crédito: Fiba

Foi um verdadeiro massacre a vitória da seleção dos EUA sobre a República Tcheca na final do Campeonato Mundial feminino de basquete. O placar de 89 a 69 na decisão deste domingo demonstra bem a diferença técnica entre as americanas e os demais adversários. E este abismo técnico se refletiu dentro de quadra, porque em nenhum momento as americanas tiveram sua vitória ameaçada.

Pois esta surra aplicada pelas novas campeãs mundiais não diminuiu o sentimento de dever cumprido das meninas da República Tcheca. No último minuto de partida, já com o resultado definido, o púlico no ginásio de Karlovy Vary ficou de pé, aplaudindo sua seleção, que pela segunda vez na história conquistou o vice-campeonato mundial. E na mesma toada, as jogadoras tchecas e a comissão técnica também aplaudiram.

Uma tocante lição de esportividade e que me permite fazer a seguinte indagação: será que veremos cenas semelhantes aqui no Brasil, durante a disputa da Copa do Mundo de 2014 ou das Olimpíadas do Rio, em 2016, caso os brasileiros estejam envolvidos num jogo decisivo e estejam sendo derrotados pelo adversário?

Como contraste, o ar meio blasé com que as americanas comemoraram o título. Apesar da festa brochante das campeãs, o Brasil se deu bem com a vitória dos EUA, que já estão classificados para as Olimpíadas de Londres-12. Desta forma, a missão das brasileiras para garantir uma vaga no Pré-Olímpico das Américas no ano que vem ficou um pouco mais fácil. Mesmo para o medíocre time comandado por Carlos Colinas.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

E Hortência prevê dias difíceis...


Hortência está preocupada com o futuruo do basquete feminino brasileiro/Crédito: CBB

Do Diário de S. Paulo - 30/09/2010

Rainha da sucata
Soberana de uma modalidade em crise, a ex-jogadora Hortência prevê dias difíceis e uma batalha árdua na busca da classificação brasileira para os Jogos Olímpicos de Londres-2012. Mas ela não entrega os pontos


Marta Teixeira


Perder para a República Tcheca, nesta quarta no Campeonato Mundial, pode ter sido apenas a ponta de um verdadeiro iceberg de problemas que a seleção brasileira feminina de basquete ainda precisará enfrentar.
Primeira chance de classificação para os Jogos Olímpicos de Londres-2012, o torneio deixou claro que a luta pela vaga será um imenso desafio.

A próxima oportunidade virá no Pré-Olímpico das Américas, em julho do ano que vem, ainda sem local definido. Depois disso, a última cartada acontecerá no Pré-Olímpico Mundial, uma repescagem incluindo candidatas de todos os continentes, em junho de 2012.

"A gente sabia que não seria fácil, e sabemos que vamos continuar a ter problemas", admite a ex-jogadora Hortência, diretora do departamento feminino da Confederação Brasileira de Basquete (CBB).

Campeã mundial em 1994, vice-campeã olímpica dois anos depois, integrante do Hall da Fama do basquete e chamada de rainha nas quadras, Hortência assumiu uma modalidade em frangalhos tentando repetir a trajetória da personagem representada pela atriz Regina Duarte no folhetim novelesco de 1990 que se transformou na Rainha da Sucata.

Com um projeto estabelecido até as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, o basquete feminino vive o impasse de se renovar e busca inspiração no vitorioso vôlei para ressurgir das cinzas. "O que é forte é a marca vôlei porque geração após geração os resultados estão lá. Se tivessem feito um projeto sério de renovação lá atrás, quando fomos campeãs mundiais e todo mundo queria jogar basquete, não estaríamos assim", afirma a dirigente.

Apesar do fracasso no Mundial, Hortência avisa que não haverá mudanças radicais no projeto original para a modalidade. "Nosso trabalho é de médio a longo prazo. Só muda tudo quem não sabe para onde está indo. Analisamos todos os riscos e sabemos para onde queremos  ir", diz a ex-jogadora. Ela reconhece que, com apenas duas vitórias, a seleção deixou a desejar. "Mas o time está unido e consciente disso", completa.


Entrevista
DIÁRIO - Como avalia o resultado da seleção?
HORTÊNCIA - Não foi o almejado. O time não rendeu o que poderia, mas a gente sabia que não seria fácil. Não se enganem, outros Mundiais foram conquistados em cima de duas ou três jogadoras apenas, e hoje não é mais assim.


DIÁRIO - Qual foi o problema?
HORTÊNCIA - Aquele primeiro jogo (derrota por um ponto para a Coreia do Sul) mexeu muito com elas, e quando o time reagiu já era tarde. As pessoas estão criticando e têm razão. Se eu tivesse visto pela televisão, faria o mesmo. Elas não jogaram bem, mas não foi por causa desse momento.


DIÁRIO - O que precisa ser feito?
HORTÊNCIA - Um trabalho de base. Não temos quantidade para tirar qualidade, esta é a verdade. Temos jogadoras de 37 e 38 anos no time porque estávamos carentes, e mais na frente isso vai ser um problema. Precisamos fortalecer nosso campeonato interno, que já foi o melhor do mundo

DIÁRIO - O Brasil corre o risco de não se classificar para Londres?
HORTÊNCIA - Estamos trabalhando para que isso não aconteça, mas 2011 é um problema sério. Não sabemos se vamos poder contar com a Érika porque tem a WNBA. É fácil falar de técnico e jogadoras, mas não é fácil estar no lugar deles.


DIÁRIO - Qual a situação do Carlos Colinas, ele continua na seleção?
HORTÊNCIA - Não vou falar a respeito disso, ainda, porque estamos no meio da competição e o Colinas ainda é o meu técnico. Ele é uma pessoa muito digna, realizou um trabalho correto e estou do lado dele até o fim.


DIÁRIO - É a favor de atletas estrangeiras no Nacional?
HORTÊNCIA - Claro.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Prêmio para a incompetência

Iziane, a cara da seleção no Mundial da Rep. Tcheca/Crédito: CBB

Parabéns, CBB! Parabéns Carlos Nunes, presidente da CBB! Parabéns, Hortência Marcari, diretora de basquete feminino da CBB! Parabéns Iziane, a craque diferenciada que não aceita ficar no banco de reservas...

O Brasil, que acaba de ser derrotado pela República Tcheca e está eliminado do Mundial feminino de basquete, pagou um preço alto demais pela sua incompetência em se preparar para o futuro. Os dirigentes, não importa a gestão, não se tocaram que um dia a geração de ouro formada por Paula, Hortência (a jogadora, não a péssima dirigente), Janeth, Marta etc, iria acabar. Não se preocuparam em criar um trabalho de base decente, em criar condições para ter um campeonato nacional decente. Nada foi feito e o que é pior, nada parece que será feito.

Na conta da atual administração da CBB, ficará marcada a atrapalhada troca de comando na seleção feminina e da forma pela qual isso aconteceu; a fritura pública a que o ex-técnico Paulo Bassul foi submetido; a escolha de um espanhol (Carlos Colinas) sem capacidade de comandar a seleção brasileira; e a aposta em um elenco envelhecido e com uma jogadora como Iziane, sem condição moral de vestir novamente a camisa do Brasil.

O basquete feminino brasileiro vai brigar agora do 9º ao 12º lugar. Pelo que a seleção apresentou na República Tcheca, está bom demais.

Érika dá um toco na autocrítica


A pivô Érika, em ação contra a Coreia do Sul/Crédito: CBB

“Coloquei toda a minha força e raiva naquele lance. Isso é para calar a boca de muita gente no Brasil que tem nos criticado”
Érika, pivô da seleção brasileira feminina, em declaração dada ao canal Sportv após a vitória sobre o Japão, na última terça-feira, mostrando que para ela, o basquete apresentado pelo Brasil no Mundial da República Tcheca tem sido exuberante

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Comemore, mas com moderação

Jogadoras brasileiras comemoram após ganhar do Japão/Crédito: CBB

Tudo bem, foi uma vitória emocionante e que trouxe um inegável sentimento de alívio. Mas o triunfo do Brasil sobre o Japão nesta terça-feira por 93 a 91, na prorrogação, pelas oitavas de final do Campeonato Mundial feminino de basquete, na República Tcheca.

Mais uma vez foi um sofrimento acompanhar a seleção brasileira em quadra. Em nenhum da partida a equipe de Carlos Colinas tomou as rédeas do jogo. É inconcebível que tenha sido necessário tanto sofrimento para superar uma equipe aplicada e rápida, é verdade, mas com média de altura visivelmente inferior.

O próprio lance que defniiu a vitória do Brasil foi graças a esta vantagem física, com o bloqueio feito pela pivô Érika - que teve uma atuação excelente, diga-se de passagem, marcando 32 pontos e recuperando 18 rebotes - sobre a japonesa Oga, melhor jogadora da equipe asiática.

Esta vitória pode ter pelo menos o mérito de devolver a autoconfiança às jogadoras brasileiras. Nesta quarta, o desafio será nem mais indigesto: elas precisam ganhar da República Tcheca para prosseguirem com chance de medalha no Mundial.

Cá entre nós, missão quase impossível.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Uma vitória inesquecível.
E um diploma que foi rasgado

Festa brasileira em Sydney/00, diante das russas./Crédito: CBB
Com a mesma clareza com que enxergava as melhores jogadas dentro de quadra, Magic Paula, agora na condição de espectadora e blogueira do portal R7, tenta colocar um pouco de lucidez - e também otimismo - em sua forma de analisar o desempenho do Brasil no Campeonato Mundial feminino de basquete que está sendo realizado na República Tcheca. Mesmo dsepois das ridículas atuações da equipe comandada pelo espanhol Carlos Colinas, Paula ainda vê uma chance de reação.

"Passar a borrocha e esquecer o que passou nesta fase. O Mundial recomeça na segunda-feira para o Brasil. Que bom, ainda tem uma chance", escreveu Paula no Twitter, pouco depois da derrota para a Espanha, no sábado. Um dia antes, após a partida contra a Coreia do Sul, ela fez uma referência a um passado de tão boas lembranças para o basquete brasileiro. "Quando ganhamos em 94, começamos a primeira fase da mesma maneira. Jogando nada."

É fato que a história nunca se repete. Isso vale também para o esporte. Não é porque o Brasil começou mal o Mundial de 94 e depois foi campeão que o mesmo ocorrerá este ano. Se fosse assim, eu teria motivos de sobra para achar que a seleção ganhará a partida desta tarde contra a Rússia, na abertura da segunda fase.

Pois ainda hoje está mais do que nunca viva na minha memória um incrível duelo entre Brasil e Rússia, pelas Olimpíadas de Sydney, em 2000. Eu estava na Austrália, fazendo a cobertura dos Jogos pelo extinto site de esportes SportsJá! e vi de perto a dificuldade com a qual a seleção se classificou para as quartas de final. Nas últimas duas partidas, duas derrotas, para França e Canadá, e jogando muito mal. O adversário no primeiro mata-mata seria a forte Rússia, que ficou em segundo na outra chave, atrás apenas dos EUA.

Ao lado de outros colegas brasileiros, fomos para o ginásio, já com o espírito preparado para ver a eliminação da seleção. Só que aquele jogo foi diferente. O Brasil incrivelmente jogava bem, não deixava as russas deslancharem no placar. Tanto que o primeiro tempo terminou com somente um ponto de vantagem para elas (39 x 38). E no segundo tempo a coisa continou do mesmo jeito, com todas as bolas brasileiras caindo, com todos os rebotes sendo recuperados. As russas não estavam acreditando.

Mas nos últimos segundos de jogo, a Rússia comandava o marcador, 67 x 66. Até que no último lance do jogo, mais um rebote sobrou para a pivô Alessandra, que debaixo da tabela fez os dois pontos que deram à vitória ao Brasil. Simplesmente emocionante! Dentro de quadra, as russas, favoritíssimas, não acreditavam no que viam, enquanto as brasileiras se abraçavam e choravam diante do milagre.

Já na tribuna de imprensa do ginásio de Sydney, blocos de anotação e canetas eram jogados para o alto, diplomas eram devidamente rasgados e um bando de jornalistas emocionados pôde testemunhar de perto um dos últimos momentos de orgulho do basquete do Brasil.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Brasil faz história no Mundial feminino de basquete. Mas bem que poderia não ter feito

A pivô brasileira Érika tenta um arremesso no complicado jogo contra Mali/Crédito: CBB

Post atualizado e corrigido

Nesta última quinta-feira Hortência Marcari, uma das maiores jogadoras do basquete feminino brasileiro em todos os tempos e também do mundo, fez aniversário. Comemorou 51 anos de idade em Brno, na República Tcheca, onde acompanha, como diretora da CBB, a participação do Brasil no Campeonato Mundial. Mas o presente que Hortência recebeu das jogadoras da seleção não foi, digamos assim, muito agradável. Primeiro, a derrota incrível para a Coreia do Sul, por apenas um ponto de diferença. E nesta sexta, uma vitória, obtida num sufoco desgraçado, diante do limitado time de Mali. O placar: 80 a 73 para as brasileiras.

Se a dificuldade em quadra já foi algo digno de se lamentar, o resultado trouxe ainda uma marca negativa para entrar na história. Pela primeira vez desde que as equipes africanas começaram a participar dos Mundiais femininos, em 1971, no no Brasil, uma delas conseguiu fazer mais do que 70 pontos em uma paretida da fase de classsificação. E coube a Mali tal feito, justamente contra o Brasil.

Levar um sufoco diante de um país sem tradição alguma no basquete e que vem de um continente que só ganhou seis partidas na história dos Mundiais, demonstra bem o estágio em que se encontra o basquete feminino brasileiro. O que se viu em brno nesta sexta-feira foi assustador. Um time ora apático, ora afobado; sem conexão entre as jogadoras, que viam as bravas meninas do mali ganharam um rebote atrás do outro (foram 46 de Mali contra somente 28 do Brasil). E as africanas ainda conseguiram ganhar o terceiro quarto.

Arrisco a dizer que o basquete feminino brasileiro corre um risco muito grande de passar pela mesma estiagem de bons resultados que assola o masculino há mais de 15 anos. E a culpa e única e exclusiva da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) e de todos os seus presidentes que por lá apareceram desde o surgimento da geração de ouro feminina, com Paula, Hortência, Janeth e Marta.

Qual foi o trabalho sério de renovação e busca por novos talentos feito em todos estes anos? Qual o projeto de massificação do basquete pelo Brasil? Qual foi a estrutura dada aos clubes para se criar uma liga nacional forté, que permitisse que nossas melhores atletas ficassem por aqui? Nada, zero!

Hoje em dia, há sérios problemas nas categorias de base do Brasil. Há meninas que não sabem os fundamentos mais básicos, como fazer uma bandeja ou a postura correta de umn arremesso. E não é um jornalista que jamais jogou basquete profissionalmente que está falando isso. Jogadoras da atual seleção já demonstraram, em conversas reservadas, sua preocupoação com isso.

Enquanto isso, a CBB prefere buscar no exterior o que não encontra aqui dentro. mas trazer um espanhol desconhecido e atrapalhado como este Carlos Colinas, de currículo extremamente modesto, não é a solução. Nem para longo prazo.

Embora tenha uma certa parcela de culpa pelo que está ocorrendo na Répública Tcheca, Hortência não merecia um presente de aniversário como foram estes jogos contra Coreia e Mali.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A profunda análise de Carlos Colinas




"Sabíamos que se o jogo fosse para o final
nós poderíamos perder, como foi o caso de hoje"

Carlos Colinas, técnico espanhol que comanda a seleção brasileira feminina de basquete, em uma análise mais do que óbvia sobre o desempenho da equipe na péssima estreia no Campeonato Mundial da República Tcheca, após a derrota para a Coreia do Sul.

Confira aqui a tabela e os resultados do Mundial feminino de basquete

Mundial feminino de basquete: perigo à vista

Adrianinha falhou no momento decisivo do jogo contra a Coreia/Crédito: CBB

Não poderia ter sido pior a estreia da seleção feminina de basquete no Campeonato Mundial da República Tcheca. Sinceramente, não sei ainda o que foi pior: a derrota para uma equipe frágil, porém aplicada, como a Coreia do Sul, ou a verdadeira lambança tática promovida pelo espanhol Carlos Colinas, o técnico escolhido pela CBB (leia-se Hortência Marcari) para comandar a equipe, no lugar de Paulo Bassul.

É inaceitável, sob qualquer argumento, que a seleção brasileira perca uma partida marcando apenas 60 pontos. É mais inaceitável ainda que uma jogadora com a experiência da armadora Adrianinha perca uma bola como aquela, nos segundos finais de jogo. Sem contar que Iziane e Érika, as jogadoras de maior qualidade técnica na seleção, ainda estão desentrosadas, por culpa do calendário maluco da Fiba, que marcou o início do Mundial próximo das finais da WNBA.

É bom Carlos Colinas abrir o olho. Nesta sexta-feira, contra Mali, a obrigação é vencer, e por uma bela margen de pontos. Dpeois, no sábado, diante da forte Espanha, seja o que Deus quiser. Está pintando uma classificação em terceiro lugar na chave, o que atrapalhará bastante os planos das brasileiras para avançar no Mundial.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

As 12 convocadas da seleção brasileira feminina de basquete para o Mundial 2010

NOME – POSIÇÃO – IDADE – ALTURA – CLUBE – NATURAL


4- Adrianinha Pinto – Armadora – 31 anos – 1,70m – Club Atletico Faenza (Itália) – São Paulo
5- Helen Luz – Ala/Armadora – 37 anos – 1,76m – Americana (SP) – São Paulo
6- Karen Gustavo– Ala – 26 anos – 1,77m – Americana (SP) – São Paulo
7- Franciele Nascimento – Pivô – 22 anos – 1,87m – Burgos (Espanha) – Paraná
8- Iziane Marques – Ala – 28 anos – 1,82m – Besiktas (Turquia) – Maranhão
9- Damiris Amaral – Pivô – 17 anos – 1,92m – Divino/COC/Jundiaí (SP) – São Paulo
10- Sílvia Gustavo – Ala – 28 anos – 1,83m – Catanduva (SP) – São Paulo
11- Fernanda Beling – Ala – 27 anos – 1,86m – Ourinhos (SP) – Minas Gerais
12- Palmira Marçal – Ala/Armadora – 26 anos – 1,73m – Catanduva (SP) – Paraná
13- Alessandra Oliveira – Pivô – 37 anos – 2,00m – Botas (Turquia) – São Paulo
14- Érika Souza – Pivô – 28 anos – 1,97m – Perfumerías Avenida (Espanha) – Rio de Janeiro
15- Kelly Santos – Pivô – 30 anos – 1,92m – Besiktas (Turquia) – São Paulo


COMISSÃO TÉCNICA


Diretora: Hortencia Marcari
Administrador: Bruno Gomes de Valentin
Técnico: Carlos Colinas
Assistente técnica: Janeth Arcain
Assistente: Isaac Fernandez
Preparador Físico: Clovis Haddad (Vita)
Médico: Paulo Roberto Szeles
Fisioterapeutas: Milena Perroni e Adriane Vanin
Massagista: Camila Longo

Mundial 2010: seleção brasileira feminina
de basquete encara a hora da verdade


Com os cortes de Micaela e Tássia, além das chegadas de Iziane e Érika, a seleção brasileira feminina de basquete começa a sua semana mais importante em 2010. Nesta quinta-feira, com o início do Campeonato Mundial da República Tcheca, o Brasil, poderá comprovar se a troca no comando da equipe, com a chegada do desconhecido espanhol Carlos Colinas para substituir Paulo Bassul.

A principal incógnita é saber como se comportará este time brasileiro, sob a batuta de Colinas, reforçado por Iziane e Érika, que acabaram de conquistar o vice-campeonato na WNBA pelo Atlanta Dream. A expectativa é queo time melhore, especialmente depois do desempenho no Torneio de Picardie, na França, semana passada.

Nesta competição, o time brasileiro terminou com somente uma vitória, diante da Argentina, por um surpreendente placar apertado de 77 a 71. Depois, amargou derrota para a França, atual campeã europeia (69 x 59) e por fim uma inacreditável derrota para o Japão, por 83 a 71, adversário para o qual o Brasil não perdia em um torneio oficial da Fiba há 43 anos e cuja pivô mais alta tem 1m83!

A aposta brasileira neste Mundial é bem alta. O time só conta com o talento de Janeth Arcain fora das quadras, atuando como auxiliar de Carlos Colinas. O time é mesclado por garotas inexperientes, porém com potecial, como a jovem pivô Damiris, com as veteranas Helen Luz e Alessandra Oliveira, ambas com 37 anos. O fator de desequilíbrio a favor do Brasil poderá ser justamente a presença da dupla Iziane/Érika.

Agora, só resta torcer!

sábado, 18 de setembro de 2010

Para internautas, campanha brasileira no Mundial da Turquia foi apenas razoável

Embora algumas pessoas tentem valorizar o resultado - que de fato mostrou evolução em relação a 2006 -, a participação da seleção brasileira no Campeonato Mundial masculino de basquete da Turquia não despertou grandes paixões no torcedor. Pelo menos foi isso que ficou detectado após enquete realizada pelo blog.

A maioria absoluta dos internautas (73%) avaliou que a participação do Brasil na Turquia foi apenas regular. Já outros 27%, bem mais críticos, entendem que o desempenho do time comandado pelo argentino Rubén Magnano acabou decepcionando. Nenhum internauta avaliou que a seleção teve uma participação ótima ou boa.

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